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Monitoras do IBF fazem palestras e atividades em escolas

A proposta foi bem recebida pela diretora Jacqueline Vescovi. Até porque coincidiu com o momento em que a própria escola começava a se dedicar ao tema. “Veio na hora certa”, festeja a diretora. “Agora, queremos que o trabalho tenha continuidade.” Jacqueline saúda a “sintonia” do IBF com as expectativas da instituição e confessa que o programa levou os professores a “parar para pensar” sobre os reflexos das ações ambientais no dia-a-dia. Por tabela, ajudou-os a desmistificar as ONGs – “uma colega ainda achava que eram todos uns ecochatos”, brinca a diretora. Além do colégio de Ibiraquera, o projeto educacional do IBF já marca presença em um grupo de terceira idade e um clube de mães, com atividades de capacitação e mobilização para a sustentabilidade, como também para a reciclagem de lixo – problema sério na região.

Em todas essas frentes, o instituto segue à risca as diretrizes da lei que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, na qual se preconiza a “garantia de democratização” das informações ambientais e “o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do meio ambiente”. A diversidade de ações em andamento se inspira no princípio da “interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o cultural”, sob o enfoque do desenvolvimento sustentável, como propõe a lei. Simplificando, o recado à comunidade é: respeite a Natureza – e você vai viver melhor. “A repercussão tem sido fantástica”, orgulha-se a bióloga Fabiana Ribas, uma gaúcha que abriu mão de quatro empregos em Caxias do Sul, na metade do ano, para encarar o estágio na equipe dirigida por Giseli de Oliveira.

Crianças exibem seus trabalhos: respeito à Natureza

Mestranda em Educação Ambiental, Fabiana narra com olhos marejados os primeiros passos da aproximação com a comunidade – especialmente no caso do clube de mães, que já se reunia antes para fazer artesanato. “Foi como um namoro. Aos poucos, ganhamos a confiança delas. Muitas nem se conheciam. Procuramos resgatar a auto-estima do grupo, para só depois falar de geração de renda e alimentação alternativa, outros dois temas do trabalho.” Voluntária nata – quando surgiu a vaga no IBF, afivelava as malas para um projeto social com mães aidéticas em Angola, que acabou adiado –, a bióloga está realizada: “Não há nada que recompense mais do que essas coisas que a gente ouve aqui!”

A promessa de “fazer a diferença” também seduziu, na última temporada, a bióloga mineira Aline Santos, que trancou matrícula na especialização recém-iniciada e se mudou para a Praia do Rosa, somando-se ao time de estagiárias da educação ambiental. Gerente de Comunicação do instituto, Simone Milach veio como Aline, por conta de um estágio, e não foi mais embora. “Acabei me envolvendo completamente com o IBF”. Oceanóloga graduada em Rio Grande, apaixonada pelo mar, decidiu cursar Jornalismo na expectativa de “combater o analfabetismo científico e ambiental que se enfrenta atualmente”. É o que tem feito: ao lado do presidente Eduardo Peixoto, Simone ajudou a formatar as três linhas de atuação que orientam a entidade.

Um espetáculo a bordo
“Baleia à vista!”, anuncia o piloto Denis Carlos Santos aos ansiosos passageiros do Baleia Franca II, que singra a costa de Garopaba e Imbituba, epicentro da APA, para compartilhar com turistas de todo o Brasil – e até do exterior – a impagável experiência de estar tão perto de uma baleia em seu próprio habitat. Organizados pela agência Turismo, Vida, Sol e Mar, os passeios são acompanhados por monitores do IBF, que prestam informações sobre biologia, comportamento, importância histórica e conservação da espécie. O trabalho completa o tripé pesquisa/educação ambiental/turismo ecológico que dá base ao instituto. Praticado em 65 países, o whale watching procura “despertar de uma nova maneira o interesse do público para a conservação da Natureza”, como sublinha o empresário Enrique Litman, vice-presidente do IBF.

Em paralelo à assessoria científica, cabe à entidade zelar pelo cumprimento das normas apropriadas de aproximação, evitando que as baleias sejam perturbadas e preservando a integração com o meio ambiente. Uma das regras: a 100 metros de distância o barco deve desligar os motores. Nesse momento exato, os passageiros do Baleia Franca II contemplam, maravilhados, as evoluções das baleias – normalmente, mamãe e filhote – em volta da embarcação. Elas dão saltos, produzem o famoso borrifo em “V”, exibem a cauda, espiam, submergem rápido, vêm à tona outra vez. Um espetáculo que, na temporada de 2004, foi visto por 1.200 pessoas, quase seis vezes a procura registrada em 1999, primeiro ano do programa.

Passeios de observação atraem turistas do mundo todo

“O potencial de crescimento é ilimitado”, vislumbra Litman, um argentino que conhece Imbituba desde 1968, quando desembarcou ali em carro de boi, para pegar onda – embora não houvesse estradas, à época o lugar já atraía surfistas. Há 12 anos, sufocado pela crise econômica, fechou uma indústria de PVC em seu país e inaugurou a Pousada Vida, Sol e Mar, recanto privilegiado com 28 cabanas de onde se descortina a Praia do Rosa e que abriga a sede do IBF. Curiosidade: antigamente, funcionava ali um engenho de mandioca, do qual foram mantidos alguns artefatos, decorando o restaurante. O sossego, a vista cinematográfica e os pacotes de turismo ecológico são chamarizes não só para os conterrâneos de Litman – 70% dos hóspedes –, mas também para um bom número de ingleses e alemães.

Com a mobilização do poder público e de outras instituições privadas, o empresário aposta que a atividade vai alcançar repercussão cada vez maior. Para se ter idéia, um dos pólos dessa categoria de turismo, a Península de Valdez, na Patagônia, Extremo Sul da Argentina, recebe nada menos de 100 mil visitantes por temporada. No mundo, a observação de baleias gira uma receita anual superior a US$ 1 bilhão. Santa Catarina, pela circunstância histórica de ter mantido até há pouco tempo estações baleeiras que remontam à colonização açoriana, apresenta um apelo que pode ser bem explorado pelos organismos do setor para difundir esse programa lá fora. “Nós criamos o produto e inserimos no mercado. Uma divulgação mais ampla depende da Santur e da Embratur”, reitera o vice-presidente do IBF, convicto de que tal iniciativa faz bem para o meio ambiente: “O turismo é uma indústria limpa que beneficia diretamente as populações envolvidas, garantindo o desenvolvimento sustentável”.

Eduardo Peixoto, presidente do IBF, afirma que a região da APA da baleia franca oferece a maior infra-estrutura para o turismo de observação de baleias no Brasil. “Além de não prejudicar o ecossistema, a comunidade só tem a ganhar com o incremento da atividade, ao recuperar parte da sua história e gerar recursos que se refletem em qualidade de vida.” É isso que vai acontecer, se depender do que diz o presidente da Santur, Jorge Nicolau Meira. “Temos todo o interesse em ver esse segmento se desenvolver cada vez mais. É uma forma de gerar empregos e fortalecer a economia sem esquecer de garantir um forte legado natural às futuras gerações. Precisamos trabalhar para que esse patrimônio seja muito bem preservado”, defende Meira, em entrevista à Revista Döhler. Olhando de perto, um avanço impressionante: em coisa de 30 anos, a secular caça predatória é substituída pela valorização da baleia franca e das comunidades tradicionais. “O IBF pretende dar continuidade a essa história”, arremata Eduardo Peixoto.

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