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proposta foi bem recebida pela diretora Jacqueline Vescovi. Até
porque coincidiu com o momento em que a própria escola começava
a se dedicar ao tema. “Veio na hora certa”, festeja a diretora.
“Agora, queremos que o trabalho tenha continuidade.” Jacqueline
saúda a “sintonia” do IBF com as expectativas da
instituição e confessa que o programa levou os professores
a “parar para pensar” sobre os reflexos das ações
ambientais no dia-a-dia. Por tabela, ajudou-os a desmistificar as ONGs
– “uma colega ainda achava que eram todos uns ecochatos”,
brinca a diretora. Além do colégio de Ibiraquera, o projeto
educacional do IBF já marca presença em um grupo de terceira
idade e um clube de mães, com atividades de capacitação
e mobilização para a sustentabilidade, como também
para a reciclagem de lixo – problema sério na região.
Mestranda
em Educação Ambiental, Fabiana narra com olhos marejados
os primeiros passos da aproximação com a comunidade –
especialmente no caso do clube de mães, que já se reunia
antes para fazer artesanato. “Foi como um namoro. Aos poucos,
ganhamos a confiança delas. Muitas nem se conheciam. Procuramos
resgatar a auto-estima do grupo, para só depois falar de geração
de renda e alimentação alternativa, outros dois temas
do trabalho.” Voluntária nata – quando surgiu a vaga
no IBF, afivelava as malas para um projeto social com mães aidéticas
em Angola, que acabou adiado –, a bióloga está realizada:
“Não há nada que recompense mais do que essas coisas
que a gente ouve aqui!” Em paralelo à assessoria científica, cabe à entidade zelar pelo cumprimento das normas apropriadas de aproximação, evitando que as baleias sejam perturbadas e preservando a integração com o meio ambiente. Uma das regras: a 100 metros de distância o barco deve desligar os motores. Nesse momento exato, os passageiros do Baleia Franca II contemplam, maravilhados, as evoluções das baleias – normalmente, mamãe e filhote – em volta da embarcação. Elas dão saltos, produzem o famoso borrifo em “V”, exibem a cauda, espiam, submergem rápido, vêm à tona outra vez. Um espetáculo que, na temporada de 2004, foi visto por 1.200 pessoas, quase seis vezes a procura registrada em 1999, primeiro ano do programa.
“O potencial de crescimento é ilimitado”, vislumbra Litman, um argentino que conhece Imbituba desde 1968, quando desembarcou ali em carro de boi, para pegar onda – embora não houvesse estradas, à época o lugar já atraía surfistas. Há 12 anos, sufocado pela crise econômica, fechou uma indústria de PVC em seu país e inaugurou a Pousada Vida, Sol e Mar, recanto privilegiado com 28 cabanas de onde se descortina a Praia do Rosa e que abriga a sede do IBF. Curiosidade: antigamente, funcionava ali um engenho de mandioca, do qual foram mantidos alguns artefatos, decorando o restaurante. O sossego, a vista cinematográfica e os pacotes de turismo ecológico são chamarizes não só para os conterrâneos de Litman – 70% dos hóspedes –, mas também para um bom número de ingleses e alemães. Com a mobilização do poder público e de outras instituições privadas, o empresário aposta que a atividade vai alcançar repercussão cada vez maior. Para se ter idéia, um dos pólos dessa categoria de turismo, a Península de Valdez, na Patagônia, Extremo Sul da Argentina, recebe nada menos de 100 mil visitantes por temporada. No mundo, a observação de baleias gira uma receita anual superior a US$ 1 bilhão. Santa Catarina, pela circunstância histórica de ter mantido até há pouco tempo estações baleeiras que remontam à colonização açoriana, apresenta um apelo que pode ser bem explorado pelos organismos do setor para difundir esse programa lá fora. “Nós criamos o produto e inserimos no mercado. Uma divulgação mais ampla depende da Santur e da Embratur”, reitera o vice-presidente do IBF, convicto de que tal iniciativa faz bem para o meio ambiente: “O turismo é uma indústria limpa que beneficia diretamente as populações envolvidas, garantindo o desenvolvimento sustentável”. Eduardo Peixoto, presidente do IBF, afirma que a região da APA da baleia franca oferece a maior infra-estrutura para o turismo de observação de baleias no Brasil. “Além de não prejudicar o ecossistema, a comunidade só tem a ganhar com o incremento da atividade, ao recuperar parte da sua história e gerar recursos que se refletem em qualidade de vida.” É isso que vai acontecer, se depender do que diz o presidente da Santur, Jorge Nicolau Meira. “Temos todo o interesse em ver esse segmento se desenvolver cada vez mais. É uma forma de gerar empregos e fortalecer a economia sem esquecer de garantir um forte legado natural às futuras gerações. Precisamos trabalhar para que esse patrimônio seja muito bem preservado”, defende Meira, em entrevista à Revista Döhler. Olhando de perto, um avanço impressionante: em coisa de 30 anos, a secular caça predatória é substituída pela valorização da baleia franca e das comunidades tradicionais. “O IBF pretende dar continuidade a essa história”, arremata Eduardo Peixoto. |
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