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Francisco e Laura, do Zapata: viagem à cozinha do México

Sabores latinos
No México, onde tem comida, tem festa. Onde tem festa, tem comida. Essa latina alegria que faz banquetes até em funerais encantou o paulistano Francisco Fernandes e contaminou a esposa Laura de La Cruz e a mãe Lúcia Manini. Desde a metade de 2004 donos do único restaurante especializado em comida mexicana da cidade, o Zapata, eles trabalham pesado para integrar culinária e cultura. Os cardápios, por exemplo, são diferenciados. Na parte interna, os burritos, as tortillas, tacos, nachos e farritas, preparadas com os recheios mais originais. Na contracapa, o cliente pode conhecer um pouco da cultura do México, a religiosidade, os povos, a comida típica e personalidades como o controvertido revolucionário Pancho Villa.

A "chef" Lúcia faz questão de dizer que todos os molhos, massas e temperos são naturais. "Até o molho de pimenta é feito aqui - e vêm pessoas todos os dias buscar os nossos nachos", orgulha-se. Com ingredientes tão diferenciados como gengibre, abacate e pimenta muuuuita pimenta, às vezes ela tem dificuldades em encontrar os itens e precisa "importá-los" de São Paulo. Mas vale a pena. Decorado com as cores mexicanas, comida bem-feita e preços adequados, o Zapata aos poucos desponta como um charmoso ponto de encontro para grupos de amigos e um aconchegante e saboroso lugar para as famílias. "Nossa proposta é manter um espaço tranqüilo, com ênfase na qualidade dos pratos", resume a engenheira Laura. Especialista em cozinha, com vários cursos de gastronomia mexicana, Lúcia é defensora ferrenha da refeição como momento de interação familiar, de troca de energias, de integração. "A chamada sociedade de consumo nos cassou um pouco esse momento tão importante. Ninguém mais tem tempo para uma alimentação adequada em família", lamenta.

Nem tudo está perdido. Há um inequívoco movimento de resgate da convivência entre as pessoas ao qual se integram muitas empresas, que colocam engenheiros de produtos na trincheira em busca de alternativas que ajudem as pessoas a ter mais tempo para interagir. Na Multibrás Eletrodomésticos, por exemplo, a todo momento surgem produtos que têm por desafio reduzir o tempo da dona-de-casa nas tarefas domésticas. Mas a maior mudança é na cozinha. À frente dessa batalha, o gerente geral de Cocção Gersio Passerine é um apaixonado por gastronomia, uma simpática mescla de gourmand e gourmet. "Impossível falar de cozinha sem falar de pessoas, de gente", diz o profissional, que adora o encargo de facilitar a vida de quem tem a "sagrada" missão de alimentar a família.

Passerine, em ambiente da Multibrás: homem na cozinha

A amálgama pode ser um bom prato, mas o que as pessoas buscam mesmo às refeições é o encontro, é o prazer, é brindar à vida. E, se antes era a mulher a personagem principal desse universo, hoje o homem já arregaça as mangas e veste o avental - já vai um pouco além do velho e viril churrasco. "Se a mulher fazia suas 'poções mágicas' para encantar, o homem moderno entende também o culto a essa alquimia como fonte de prazer, de relaxamento, de integração", traduz Gersio, que traz de família o gosto pelos sabores e aromas: descendente de italianos, aprendeu a identificar e selecionar ingredientes e temperos os mais diversos na mercearia do pai.

Vem do sangue, também, a vocação de dona Lídia Kersten Rudnick, considerada uma das melhores cozinheiras da cidade. Mãe de Gilson Rudnick, chef do restaurante do Holz Hotel, há alguns anos Lídia deixou para trás mais de uma década de atuação na cozinha do Anthurium Hotel para trabalhar em casa. Nascida e criada no Rio Bonito, faz, com muito sucesso, todos os tradicionais pratos típicos alemães. Mas é especialista em cucas e bolos de casamento e ajuda a engordar a renda familiar atendendo às inúmeras encomendas de doces e salgadinhos para festas.

O filho mais novo, Gilson, começou como ajudante de cozinha e se interessou pela profissão. Hoje, mistura ingredientes com segurança e cria novos pratos, sempre que possível. Mas não quer parar por aí. Várias vezes premiado em eventos culinários, é um dos mais promissores chefs da cidade. Que quer, sim, ser a Joinville das flores, da indústria, do turismo e da gastronomia. "Falta apenas que o setor se una, se promova, profissionalize sua mão-de-obra", reivindica Lídia, da Piazza Itália. O essencial, a cidade já tem: a consciência de que, em se tratando de cozinha, tudo precisa ser feito com o tempero do amor, para funcionar. Não é pieguice. É química.

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