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Amor em 48 histórias de
vida
A chegada de três irmãos (13, 10 e 7 anos), vindos do
interior do Paraná, elevou para quase meia centena o número
de filhos adotivos de Mãe Abigail e seu marido Carlos Alberto
do Rosário. Na casa grande e simples do Jardim Sofia, Zona
Norte de Joinville, há
que ter espaço para armazenar gêneros alimentícios
– a família recebe muitas doações –,
roupas e calçados. Na enorme cozinha, as crianças se
atropelam na hora de se acomodar à mesa para o lanche. Ali,
tudo é
superlativo. A começar pelo amor de Mãe Abigail por seus
48 pedacinhos de vida. Tudo começou em 1986 quando, quase por
acaso, Abigail acabou acolhendo uma criança que estava tendo
problemas de adaptação na casa de conhecidos. “A
família ia devolver. A criança quis ficar comigo,
como eu ia dizer que não?”, sorri Abigail, que interrompeu
ali praticamente todos seus projetos pessoais de vida para se
dedicar às
crianças “que ninguém quer”.
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Abigail
dedica a vida a cuidar de quase 50 filhos: missão
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Meninos
e meninas de todas as raças, alguns com doenças graves,
são recebidos e tratados com o carinho e a disciplina
características da família. “Aqui todos são
filhos, têm iguais direitos e deveres”, costuma dizer
a mãe, que não gosta de ser chamada de “instituição”.
“Somos uma família como outra qualquer. Só que
um pouco maior”, brinca. Na casa, há horário para
tudo.
Às 6 da manhã, todo mundo tem que estar em pé para
o café que acontece às 6 e meia. Depois, cada um cumpre
sua tarefa – alguns seguem para a aula a bordo da van pilotada
pela própria Abigail. Os que ficam ajudam nas atividades
domésticas,
sem esquecer dos deveres escolares. Os maiores ajudam a cuidar dos
pequenos
– e o grupo recebe sempre a ajuda de voluntários, além
das duas funcionárias que colocam a mão na massa, auxiliando
na organização doméstica.
Ajuda oficial, não há. Mas a comunidade colabora
com doações, especialmente de alimentos e roupas. As
emergências
de saúde são providas pela Unimed, mas a maioria dos
atendimentos médicos é feita nos ambulatórios
públicos.
Abigail tem três filhos com síndrome de Down e já
superou várias outras doenças. “Recebi crianças
desenganadas pelos médicos que hoje estão vendendo saúde”,
orgulha-se.
Avó de 13 crianças – quatro de seus filhos biológicos
e 9 dos adotados –, Abigail entrega nas mãos de Deus
o problema, sempre que aparece uma criança a mais. “Eu
oro e peço
que Deus me diga o que fazer. Afinal, foi Ele quem me colocou nesta
missão, devo agradecer e ouvir o que Ele decidir.”
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Ajuda para quem quer mais filhos
O Grupo de Estudo e Apoio à Adoção de Joinville
(GEAAJ) oferece ajuda às famílias que querem adotar
e trabalha na mobilização da sociedade para a questão
da chamada “Adoção Tardia”. Eles distribuem
textos e dicas de leitura e de filme sobre o assunto para os pais
e
os filhos aprenderem a lidar com mais naturalidade com a situação
e até a vencer os preconceitos sociais que ainda existem. “Se
hoje apenas a chamada adoção clássica resolve
o problema de infertilidade dos casais, precisamos entender que
a adoção
tardia é também um ato de amor, que integra e mobiliza
a família”, diz Rosana Ramsdorf, presidente do GEAAJ.
Contatos: (47) 435-4738.
FALE
COM SEUS FILHOS SOBRE ADOÇÃO |
(Dottie Klem e Darleen Brauel, do Departamento de Serviços
Humanos do estado de Ohio, EUA. Fonte: CEAAJ)
= Comece a usar a
palavra adoção assim que seu filho chegar em casa.
Isso pode ser feito através de uma historinha. Seja file
à realidade, sincero e não julgue a história
de vida de seu filho, mas tente reunir o maior número possível
de informações.
= Transmita imagem
positiva, porém realista, dos pais biológicos. E
esteja preparado para falar muitas e muitas vezes sobre adoção,
pois o assunto não se esgota em uma só conversa.
= Não espere
seu filho fazer perguntas. Algumas crianças precisam que
seus pais tomem a iniciativa. O fato de não perguntarem
não significa que não estejam interessadas.
= Converse em particular
com seu filho sobre adoção. A conversa pode provocar
sentimentos tristes ou alegres. Esteja preparado para lidar com
as reações de seu filho.
= Lembre-se: a necessidade
de seu filho saber sobre suas raízes e seu passado é
importante para o desenvolvimento de sua identidade e em nada
compromete o relacionamento com a família por adoção. |
DEPOIS DE LER,
NAVEGUE
Se você quiser saber mais sobre o assunto, visite
o Portal Brasileiro da Adoção em
www.adocao.com.br
Conheça o Cecif – Centro de Capacitação
e Incentivo à Formação de profissionais, voluntários
e organizações que desenvolvem trabalho de apoio à
convivência familiar. É uma organização
não-governamental, sem fins lucrativos, sediada em São
Paulo, com abrangência nacional.
www.cecif.org.br
Veja as notícias do Conanda, Conselho Nacional dos Direitos da Criança
e do Adolescente.
www.presidencia.gov.br