UNS
& OUTROS
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Equipamento
usado por adeptos do paraglider é fabricado em SC
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UM
NEGÓCIO
O interesse
crescente por esportes radicais é festejado por uma empresa catarinense
para quem os bons negócios estão, literalmente, nas alturas.
A Sol Paragliders, com sede em Jaraguá do Sul, é a líder
do mercado brasileiro de parapentes, modalidade de vôo que mistura
alpinismo com pára-quedismo e que se desenvolve a toda velocidade
desde os anos 80. Flanando sozinha – é a única fabricante
brasileira do produto, concorrendo com marcas européias e asiáticas
–, a Sol responde por 50% das vendas de parapentes no país.
São cerca de 4 mil pilotos em atividade. A empresa exporta para
50 países, da França aos Estados Unidos, do Japão
à Espanha. Num ramo em que engenharia e precisão são
fundamentais, a Sol mantém, há cinco anos, seu próprio
centro de desenvolvimento e testes, com quadro de 12 pilotos, num total
de 75 funcionários. “Testamos todas as asas antes de colocá-las
no mercado, o que garante a confiabilidade necessária para um
bom desempenho nos vôos”, ressalta o gerente de marketing
Henrique Porto. No início de 2004, a indústria foi certificada
pelo DHV, respeitado órgão internacional de regulamentação
em vôo livre.
DEPOIS
DE LER, NAVEGUE
As
artes do esporte aéreo, na home-page da Associação
Brasileira de Vôo Livre.
www.abvl.com.br
Visite
o site da Sol Paragliders
www.solsports.com.br
UM
PROJETO
“Se alguém pisa no meu calo, puxo o cavaquinho pra cantar
de galo”, vai avisando o poeta Aldir Blanc na música “Kid
Cavaquinho”, sucesso na voz do parceiro João Bosco. Em Joinville,
Kid Cavaquinho se chama Ênio Flávio Bandeira, apelido Gauchinho.
Há quatro anos, o músico abriu uma escola para ensinar as
manhas do instrumento, no miolo do Mercado Municipal de Joinville. Em
outubro, veio o primeiro fruto: um CD com 12 faixas bem brasileiras, dedilhadas
por seis alunos que se destacaram na escola – cinco no cavaquinho,
um no violão –, ao lado de um pandeiro e do mestre Gauchinho.
Empolgado, Kid Cavaquinho anuncia que, em 2005, vai zanzar pelos bairros
da cidade com um projeto que acalenta há tempos: aulas de cavaquinho
para crianças carentes. “Tem muito talento escondido por
aí”, garante. O projeto começa em março, na
vizinha São Francisco do Sul, e logo depois circula por Joinville.
Mais informações pelo (47) 3027-2733.
DEPOIS
DE LER, NAVEGUE
A
letra completa do samba “Kid Cavaquinho”,
composição da dupla Aldir Blanc e João Bosco.
www.mpbnet.com.br
A vida e
a obra de Nelson Cavaquinho, um dos
grandes nomes da música popular brasileira.
www2.uol.com.br
UM PAPO com o advogado e escritor
Carlos Adauto Vieira (foto acima), veterano militante
cultural que há décadas tem seu nome ligado
a quase tudo o que se faz nesta área em Joinville
– em 2004, foi ele um dos mentores da primeira Feira
do Livro, que fez sucesso logo na estréia. Por
muitos anos, Adauto escreveu divertidas crônicas
no jornal A Notícia com o pseudônimo de Charles
D´Olengèr. Hoje, mora em São Francisco
“do Sol”, como gosta de qualificar a cidade
portuária e praiana. Continua um apóstolo
da palavra escrita: devora ao menos cinco livros por mês
e aposta que eles, os livros, vão sobreviver –
apesar do computador.
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Por
que demorou tanto para sair a Feira do Livro de Joinville?
Porque não havíamos percebido o quanto seria importante
promover uma feira cultural, mas sem deixar de ser profissional,
garantindo lucros aos participantes. Trouxemos vendedores de
perfumes, chás, couro – além de livros.
Foi a globalização no melhor sentido – não
são assim as feiras tradicionais, na Europa e na Ásia?
Como curador, senti-me realizado com os resultados. Tanto que,
em 2005, queremos reproduzir a feira de 2004, com menos defeitos
e ainda mais participantes. Pensamos também em editar
um livro com entrevistas de escritores regionais, preferencialmente
de Joinville.
A
mudança no perfil da cidade – que expande a área
de serviços, amplia a rede de ensino superior e dorme
mais tarde – beneficia a cultura? Joinville pode vir a
ser um pólo cultural importante?
A superação de um provincianismo tipicamente joinvilense
– que calça meia branca e faz pesquisa de preços
para poupar um tostão – pela existência de
tantas escolas, faculdades, livrarias e bancas de revista, com
milhares de forasteiros vindo para cá, demonstra que
o nosso “PIB intelectual” continua se ampliando
saudavelmente. Acompanho o crescimento de Joinville há
45 anos. E fico tranqüilo com o sucesso de sua raiz intelectual.
Como
o sr. analisa a qualidade da literatura joinvilense? Quem lê?
Quem admira?
Ainda não é possível ter uma visão
crítica da literatura joinvilense. Temos um Augusto Sylvio,
uma Helly, uma Hilda, um Bernardo Schneider, Tereza Böebel,
Rachel San Thiago, Hilton Görresen, Ives Paz, Germano Jacobs,
David Gonçalves, Joel Gehlen, Mila Ramos, Apolinário
Ternes... Mas nem todos são voltados à literatura
de ficção. Vou esquecer, sem intenção,
algum nome. Pena que muitos foram embora. Vamos encontrar uma
nova geração de bons e fecundos autores. Leio
todos os joinvilenses. Alguns, até, releio. Ou consulto
com freqüência. E emoção.
“Leio
todos os autores joinvilenses. Alguns, até,
releio. Ou consulto com freqüência. E emoção.”
O
que está faltando para Joinville aparecer mais no mercado
editorial brasileiro?
Faltam apoios. Da Fundação Cultural, do jornal
A Notícia, da televisão. Dos próprios escritores.
Quando criamos o Grupo Cordão, meio abagunçado,
tivemos uma revista literária de circulação
internacional que lançou autores e artistas plásticos,
músicos, dançarinos; criou o Festival de Dança,
o Clube do Cinema, a Feira de Arte e Artesanato, a própria
Fundação e o Conselho Municipal de Cultura. Foi
um período rico, graças aos apoios, que hoje faltam.
Inclusive de empresas e empresários. Temos várias
editoras joinvilenses que sofrem a carência de mercado
produtor e consumidor. Não alcançam os grandes
centros. Vivemos de uma débil glória municipal.
Uma
reflexão: Joinville lê pouco porque trabalha
muito? Ou trabalha muito porque lê pouco?
Joinville não foge ao padrão nacional de leituras.
Lê bastante e trabalha igual. Mas não tem muita
orientação, crítica. Deveria ler pelos
críticos joinvilenses ou catarinenses, se tivessem onde
publicar.
Os
organismos ligados à educação se contorcem
em busca de estratégias que motivem crianças e
jovens à leitura. Essa é uma equação
possível, sob o aspecto das políticas públicas?
Ler, especialmente se muito, é sempre perigoso. Daí
as políticas culturais públicas serem não
só tendenciosas, como parcas. Como aprender a ler nas
escolas, onde não há bibliotecas de nível?
Professores que possam ler com seus vencimentos? Autores
que
as freqüentem com palestras remuneradas? Dou um exemplo.
Por sugestão de um amigo, doei 60 exemplares do meu último
livro para bibliotecas de São Francisco do Sul. Acho
que nenhum chegou ao destino.
Como
Charles D' Olenger definiria Carlos Adauto Vieira?
Charles D´Olengèr foi uma das poucas e boas criações
da intentona de 1964. O Supremo Comando, sentindo-se ameaçado
pelas minhas saborosas estórias curtas dominicais, proibiu
que meu nome figurasse nos meus escritos. O jornal não queria perder o gracioso cronista e me pediu
para arranjar um sobrenome. Como sou Carlos e o meu avô
materno sempre dizia que, quando a Franca invadia a sua pátria,
Luxemburgo, seu nome passava do alemão Ólinger
para o francês Olenger, juntei os dois. E me tornei uma
glória nacional, a ponto de ser considerado o Sabino
da crônica catarinense, o que fez o saudoso Fernando ser
o D´ Olengèr da crônica nacional. D´Olengèr
é o meu alter ego. Escreve coisas que eu não posso.
E é mau profissional: tudo faz de graça... Ou,
de tudo faz graça. Adora fazer rir. O Adauto, para o
Charlot, é uma carga. Muito sério. Advogado quase
lenda, só fazia as melhores coisas pensando e trabalhando
como Charlot. Leitor por compulsão, Ada já leu
uns 15 mil livros na sua curta vida. E ainda lê, em média,
uns cinco livros por mês, agora, na Praia de Ubatuba,
São Francisco do Sol. Fora as revistas e jornais. Assim,
Charlot fica cada vez mais erudito e inteligente. Avantajando
o seu imenso talento.
Com
a informática tomando conta, é possível
salvar o sabor da palavra escrita, impressa, mantê-la
no cardápio das pessoas?
Livro ou computador? Ambos sobreviverão. Ninguém
acaricia um computador. Mas um livro... Sente-se a textura,
a coloração, o perfume, o sabor; diferencia-se
o tipo de papel; pode-se rabiscá-lo para sempre. Os originais,
à mão ou à máquina, revisados, com
as entrelinhas, as rasuras, as exclusões, valorizam.
O computador deleta. E fim. Nunca mais. Não haverá
originais como os da Comédia Humana, do Balzac, digitados
no computador. As correções os tornaram natimortos
pelo “del”. E quem vai dar um livro de poesia sob
a forma de palm, laptop, notebook para a paixão? É
maravilhoso escrever à mão, com canetas de pena,
até molhando-as no tinteiro. Coleciono bilhetes, cartões,
cartas da Lair Bernardoni, porque ela os manda com aquela sua
letra caprichada, que ninguém ensina/aprende nas escolas
em aulas de caligrafia, traçada por caneta de pena Mont
Blanc. Sem contar a preciosidade dos textos. Pais que não
lêem empurram os filhos para os digitais, eternizando
a ignorância. É a herança mais maldita conhecida.
A mais dolorosa escravidão. O mais nefasto dos vícios.
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