Voltar Nesta revista De sangue ou de coração Para fazer – e contar – história Esporte da eficiência Próxima
Dez lições para  continuar competitivo A gente põe na mesa Seu melhor médico é você Questão social na prática


AÇÃO AMBIENTAL
Especial


PARA FAZER –E CONTAR – HISTÓRIA
ESPORTE DA
EFICIÊNCIA

Prêmio literário lançado pela Revista Döhler recebeu 371 inscrições e revelou novos talentos

Na pista, na quadra ou na piscina, jovens portadores de necessidades especiais encontram o caminho da inclusão


UNS & OUTROS
Equipamento usado por adeptos do paraglider é fabricado em SC

UM NEGÓCIO
O interesse crescente por esportes radicais é festejado por uma empresa catarinense para quem os bons negócios estão, literalmente, nas alturas. A Sol Paragliders, com sede em Jaraguá do Sul, é a líder do mercado brasileiro de parapentes, modalidade de vôo que mistura alpinismo com pára-quedismo e que se desenvolve a toda velocidade desde os anos 80. Flanando sozinha – é a única fabricante brasileira do produto, concorrendo com marcas européias e asiáticas –, a Sol responde por 50% das vendas de parapentes no país. São cerca de 4 mil pilotos em atividade. A empresa exporta para 50 países, da França aos Estados Unidos, do Japão à Espanha. Num ramo em que engenharia e precisão são fundamentais, a Sol mantém, há cinco anos, seu próprio centro de desenvolvimento e testes, com quadro de 12 pilotos, num total de 75 funcionários. “Testamos todas as asas antes de colocá-las no mercado, o que garante a confiabilidade necessária para um bom desempenho nos vôos”, ressalta o gerente de marketing Henrique Porto. No início de 2004, a indústria foi certificada pelo DHV, respeitado órgão internacional de regulamentação em vôo livre.

DEPOIS DE LER, NAVEGUE
•••••••••••••••••••••••••

As artes do esporte aéreo, na home-page da Associação Brasileira de Vôo Livre.
www.abvl.com.br

Visite o site da Sol Paragliders
www.solsports.com.br


UM PROJETO
“Se alguém pisa no meu calo, puxo o cavaquinho pra cantar de galo”, vai avisando o poeta Aldir Blanc na música “Kid Cavaquinho”, sucesso na voz do parceiro João Bosco. Em Joinville, Kid Cavaquinho se chama Ênio Flávio Bandeira, apelido Gauchinho. Há quatro anos, o músico abriu uma escola para ensinar as manhas do instrumento, no miolo do Mercado Municipal de Joinville. Em outubro, veio o primeiro fruto: um CD com 12 faixas bem brasileiras, dedilhadas por seis alunos que se destacaram na escola – cinco no cavaquinho, um no violão –, ao lado de um pandeiro e do mestre Gauchinho. Empolgado, Kid Cavaquinho anuncia que, em 2005, vai zanzar pelos bairros da cidade com um projeto que acalenta há tempos: aulas de cavaquinho para crianças carentes. “Tem muito talento escondido por aí”, garante. O projeto começa em março, na vizinha São Francisco do Sul, e logo depois circula por Joinville. Mais informações pelo (47) 3027-2733.

DEPOIS DE LER, NAVEGUE
•••••••••••••••••••••••••

A letra completa do samba “Kid Cavaquinho”,
composição da dupla Aldir Blanc e João Bosco.
www.mpbnet.com.br

A vida e a obra de Nelson Cavaquinho, um dos
grandes nomes da música popular brasileira.
www2.uol.com.br



UM PAPO
com o advogado e escritor Carlos Adauto Vieira (foto acima), veterano militante cultural que há décadas tem seu nome ligado a quase tudo o que se faz nesta área em Joinville – em 2004, foi ele um dos mentores da primeira Feira do Livro, que fez sucesso logo na estréia. Por muitos anos, Adauto escreveu divertidas crônicas no jornal A Notícia com o pseudônimo de Charles D´Olengèr. Hoje, mora em São Francisco “do Sol”, como gosta de qualificar a cidade portuária e praiana. Continua um apóstolo da palavra escrita: devora ao menos cinco livros por mês e aposta que eles, os livros, vão sobreviver – apesar do computador.

Por que demorou tanto para sair a Feira do Livro de Joinville?
Porque não havíamos percebido o quanto seria importante promover uma feira cultural, mas sem deixar de ser profissional, garantindo lucros aos participantes. Trouxemos vendedores de perfumes, chás, couro – além de livros. Foi a globalização no melhor sentido – não são assim as feiras tradicionais, na Europa e na Ásia? Como curador, senti-me realizado com os resultados. Tanto que, em 2005, queremos reproduzir a feira de 2004, com menos defeitos e ainda mais participantes. Pensamos também em editar um livro com entrevistas de escritores regionais, preferencialmente de Joinville.

A mudança no perfil da cidade – que expande a área de serviços, amplia a rede de ensino superior e dorme mais tarde – beneficia a cultura? Joinville pode vir a ser um pólo cultural importante?
A superação de um provincianismo tipicamente joinvilense – que calça meia branca e faz pesquisa de preços para poupar um tostão – pela existência de tantas escolas, faculdades, livrarias e bancas de revista, com milhares de forasteiros vindo para cá, demonstra que o nosso “PIB intelectual” continua se ampliando saudavelmente. Acompanho o crescimento de Joinville há 45 anos. E fico tranqüilo com o sucesso de sua raiz intelectual.

Como o sr. analisa a qualidade da literatura joinvilense? Quem lê? Quem admira?
Ainda não é possível ter uma visão crítica da literatura joinvilense. Temos um Augusto Sylvio, uma Helly, uma Hilda, um Bernardo Schneider, Tereza Böebel, Rachel San Thiago, Hilton Görresen, Ives Paz, Germano Jacobs, David Gonçalves, Joel Gehlen, Mila Ramos, Apolinário Ternes... Mas nem todos são voltados à literatura de ficção. Vou esquecer, sem intenção, algum nome. Pena que muitos foram embora. Vamos encontrar uma nova geração de bons e fecundos autores. Leio todos os joinvilenses. Alguns, até, releio. Ou consulto com freqüência. E emoção.


“Leio todos os autores joinvilenses. Alguns, até, releio. Ou consulto com freqüência. E emoção.”

O que está faltando para Joinville aparecer mais no mercado editorial brasileiro?
Faltam apoios. Da Fundação Cultural, do jornal A Notícia, da televisão. Dos próprios escritores. Quando criamos o Grupo Cordão, meio abagunçado, tivemos uma revista literária de circulação internacional que lançou autores e artistas plásticos, músicos, dançarinos; criou o Festival de Dança, o Clube do Cinema, a Feira de Arte e Artesanato, a própria Fundação e o Conselho Municipal de Cultura. Foi um período rico, graças aos apoios, que hoje faltam. Inclusive de empresas e empresários. Temos várias editoras joinvilenses que sofrem a carência de mercado produtor e consumidor. Não alcançam os grandes centros. Vivemos de uma débil glória municipal.

Uma reflexão: Joinville lê pouco porque trabalha muito? Ou trabalha muito porque lê pouco?
Joinville não foge ao padrão nacional de leituras. Lê bastante e trabalha igual. Mas não tem muita orientação, crítica. Deveria ler pelos críticos joinvilenses ou catarinenses, se tivessem onde publicar.

Os organismos ligados à educação se contorcem em busca de estratégias que motivem crianças e jovens à leitura. Essa é uma equação possível, sob o aspecto das políticas públicas?
Ler, especialmente se muito, é sempre perigoso. Daí as políticas culturais públicas serem não só tendenciosas, como parcas. Como aprender a ler nas escolas, onde não há bibliotecas de nível? Professores que possam ler com seus vencimentos? Autores que as freqüentem com palestras remuneradas? Dou um exemplo. Por sugestão de um amigo, doei 60 exemplares do meu último livro para bibliotecas de São Francisco do Sul. Acho que nenhum chegou ao destino.


Como Charles D' Olenger definiria Carlos Adauto Vieira?
Charles D´Olengèr foi uma das poucas e boas criações da intentona de 1964. O Supremo Comando, sentindo-se ameaçado pelas minhas saborosas estórias curtas dominicais, proibiu que meu nome figurasse nos meus escritos. O jornal não queria perder o gracioso cronista e me pediu para arranjar um sobrenome. Como sou Carlos e o meu avô materno sempre dizia que, quando a Franca invadia a sua pátria, Luxemburgo, seu nome passava do alemão Ólinger para o francês Olenger, juntei os dois. E me tornei uma glória nacional, a ponto de ser considerado o Sabino da crônica catarinense, o que fez o saudoso Fernando ser o D´ Olengèr da crônica nacional. D´Olengèr é o meu alter ego. Escreve coisas que eu não posso. E é mau profissional: tudo faz de graça... Ou, de tudo faz graça. Adora fazer rir. O Adauto, para o Charlot, é uma carga. Muito sério. Advogado quase lenda, só fazia as melhores coisas pensando e trabalhando como Charlot. Leitor por compulsão, Ada já leu uns 15 mil livros na sua curta vida. E ainda lê, em média, uns cinco livros por mês, agora, na Praia de Ubatuba, São Francisco do Sol. Fora as revistas e jornais. Assim, Charlot fica cada vez mais erudito e inteligente. Avantajando o seu imenso talento.

Com a informática tomando conta, é possível salvar o sabor da palavra escrita, impressa, mantê-la no cardápio das pessoas?
Livro ou computador? Ambos sobreviverão. Ninguém acaricia um computador. Mas um livro... Sente-se a textura, a coloração, o perfume, o sabor; diferencia-se o tipo de papel; pode-se rabiscá-lo para sempre. Os originais, à mão ou à máquina, revisados, com as entrelinhas, as rasuras, as exclusões, valorizam. O computador deleta. E fim. Nunca mais. Não haverá originais como os da Comédia Humana, do Balzac, digitados no computador. As correções os tornaram natimortos pelo “del”. E quem vai dar um livro de poesia sob a forma de palm, laptop, notebook para a paixão? É maravilhoso escrever à mão, com canetas de pena, até molhando-as no tinteiro. Coleciono bilhetes, cartões, cartas da Lair Bernardoni, porque ela os manda com aquela sua letra caprichada, que ninguém ensina/aprende nas escolas em aulas de caligrafia, traçada por caneta de pena Mont Blanc. Sem contar a preciosidade dos textos. Pais que não lêem empurram os filhos para os digitais, eternizando a ignorância. É a herança mais maldita conhecida. A mais dolorosa escravidão. O mais nefasto dos vícios.


Voltar Nesta revista De sangue ou de coração Para fazer – e contar – história Esporte da eficiência Próxima
Dez lições para  continuar competitivo A gente põe na mesa Seu melhor médico é você Questão social na prática