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Você certamente já percebeu que o mundo do trabalho passa por enormes transformações, tão impactantes que muita gente chega a prever a extinção das carreiras tradicionais. Na verdade, advogados, engenheiros e médicos não precisam engavetar seus diplomas. Mas devem se adequar a esse processo se desejarem continuar competitivos. Eles – e todas as outras pessoas. “As inovações tecnológicas modificam a forma como as carreiras tradicionais se relacionam com o mercado”, diagnostica a psicóloga Lise Chaves, da CC&G Consultores. Lise aposta no alinhamento das antigas habilitações com a revolução tecnológica – algo assim: o médico vai entender de Tecnologia da Informação. E, sem exceção, as profissões agregarão novos conhecimentos. “Estará em voga a multidisciplinaridade”, estima. Para Celso de Camargo Campos, da De Bernt Entschev, agência de recrutamento de executivos, a tendência é da suprema especialização, partindo das modalidades existentes. “Antes, um dentista fazia tudo. Hoje, quando vê a necessidade de um procedimento específico de correção da arcada dentária, encaminha para um ortodontista”, exemplifica. Mas o especialista não deve abrir mão da chamada “visão sistêmica”, integrando seus conhecimentos a um sistema maior. “É obsoleto o profissional de recursos humanos que não compreende resultados, ou o profissional de finanças que não domina o mercado”, ilustra Silvio Bugelli, colunista da Revista Você S/A.
Os analistas concordam que as mudanças são inevitáveis e que as fronteiras entre as disciplinas clássicas estão se esfarelando. Então, o melhor a fazer é se preparar, até para não virar peça de museu no ambiente corporativo. “Essas transformações são um mar de oportunidades”, sinaliza Roberto do Valle, gerente de Desenvolvimento Humano da Universidade Tigre, usina de programas de qualificação destinados aos funcionários da indústria catarinense de tubos e conexões. “Aqui, impulsionamos a aprendizagem e a criatividade na atuação da nossa equipe, em busca de soluções inovadoras e qualidade de vida, para o consumidor e para o cidadão”, esclarece Roberto. Vinculadas a empresas, as universidades corporativas são apenas um dos inúmeros canais para você se profissionalizar. A fartura de opções disponíveis contempla desde o estrelado executivo até aquele jovem interessado em dar o pontapé inicial na carreira. Dois fenômenos recentes são a crescente procura pela segunda faculdade, em alternativas de formação combinada que as empresas vêem com bons olhos, e a expansão dos cursos de nível técnico, desvinculados do ensino médio no ano 2000. Em Joinville, dez instituições entregam 2 mil diplomas anuais numa centena de cursos. “É o melhor caminho para a rápida inserção no mercado”, destaca o professor Natan de Oliveira. E as habilitações se multiplicam. A Escola Técnica Tupy, onde estudam 1.700 alunos, espera 800 matrículas adicionais para 2005. No princípio do ano letivo, o Colégio Elias Moreira deve contabilizar um total de 24 cursos, ou cinco a mais do que em 2004. Com cardápio variado de títulos – como floricultura, análises clínicas e gestão de varejo –, o Elias Moreira só cria um curso novo depois de ouvir representantes daquele segmento. Por vezes, enxerga a demanda, mas encontra resistências. “Os detentores do conhecimento tradicional nem sempre visualizam a profissionalização como um meio de qualificar o mercado e dar respaldo social à atividade”, estranha o coordenador Airton Bonet. Embora o público-alvo seja a garotada, o ensino técnico resolve a vida do pós-graduado que carece de habilidades adicionais em campos relacionados à sua área de trabalho. Numa esfera maior, isso também motiva profissionais escolados a retornar à universidade. O engenheiro que planeja disputar cargo de chefia vai estudar administração, o agrônomo resolve cursar comércio exterior porque quer exportar e o economista busca a psicologia para aprender a lidar com as pessoas. As estatísticas confirmam: desde 1999, o número de alunos acima dos 35 anos matriculados em faculdades – ou seja, que já têm uma profissão – aumentou 130%.
Não é só na hora do expediente que se deve “agir como gestor” – usando uma expressão típica de consultoria. Também convém gerenciar a própria carreira. Ponha no papel as suas metas, liste qualidades e deficiências pessoais e não se esqueça de identificar os conhecimentos e as experiências de que necessita para “chegar lá”. “Reconhecer as habilidades que integram seu perfil e aquelas que lhe fazem falta é o primeiro passo para uma carreira de sucesso”, ensina Simone Turra, da De Bernt Entschev. Outra dica: pense longe – no que você gostaria de trabalhar daqui a dez ou quinze anos? –, mas preveja fases intermediárias. “Em geral, bons profissionais passam por diversas áreas da empresa antes de atingir seu objetivo”, sublinha a psicóloga Lise Chaves.
A competitividade se intensifica e, para não perder a corrida, o negócio é agir rápido. “O século 21 já está sendo considerado o século da agilidade. Se você não tiver velocidade no mínimo igual à de seus pares ou concorrentes, será esmagado por eles”, alerta Celso de Camargo Campos, lembrando que há duas escolhas básicas: “prostrar-se no sofá e ficar assistindo a novelas enquanto a vida passa” ou se dedicar à atualização, participando de cursos, congressos, palestras etc. Agilidade, porém, não significa sair derrubando todo mundo. Pelo contrário. Hoje em dia, além dos atributos técnicos, a empresa reconhece valores humanos ao analisar um trabalhador. “Juntando atitude, garra, lealdade e ética, o profissional terá menos dificuldades para se sair bem”, assinala o professor Natan de Oliveira. A ética tem como aliadas a responsabilidade social – manifesta no engajamento em projetos comunitários – e a transparência “de idéias e ideais”, como recomenda Celso Campos. Uma postura “consciente, íntegra e ativa em relação ao ser humano, ao meio ambiente e à sociedade” conta bons pontos, segundo Roberto do Valle, da Universidade Tigre. |
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