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SEU MELHOR
MÉDICO
É VOCÊ

Boa alimentação e hábitos saudáveis podem
evitar remédios demais e reduzir
a freqüência ao consultório

A lista de compras do brasileiro está passando pela quitanda - e isso é muito bom. Pesquisa do instituto LatinPanel para a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) sinaliza que o consumo saudável começa a fazer parte do cardápio da população. De acordo com o estudo, que apurou a realidade de 36 milhões de domicílios, cobrindo 81% do total de lares do país, uma a cada duas famílias come frutas, legumes e verduras todo santo dia, 21% delas colocam produtos orgânicos no carrinho e 30% elegem opções diet ou light. As donas-de-casa explicam a gradual mudança de hábito pela preocupação com a saúde. Devagar, as pessoas se dão conta de que, ao cuidar da alimentação, estão zelando por elas próprias, na expectativa de fortalecer naturalmente o organismo.

O nutrologista Maffezzoli: "Parar de falar em doença"

"A mudança alimentar representa 70% da cura de qualquer doença", sublinha o médico nutrologista Edson Maffezzoli. Segundo ele, as enfermidades são "mensagens" do corpo em busca de harmonia. "A alimentação desequilibra ou reequilibra o organismo, leva à doença ou a corrige. Sem dúvida, é o melhor remédio - e o caminho para a qualidade de vida." Por essa visão, a dosagem correta entre um pacote de 47 nutrientes essenciais, disponíveis nos alimentos, assegura a saúde plena. Se alguém adoece, bagunçando o metabolismo, caberia ao médico identificar o componente que está em falta e prescrever uma dieta concentrada em gêneros nos quais ele seja encontrado. Pelo mesmo raciocínio, variar ao máximo a composição dos pratos ajudaria a evitar que nutrientes-chave sejam esquecidos. "Temos que parar de falar em doença e falar em saúde. Mas, para isso, as pessoas devem se dar ao luxo de mudar", provoca o especialista.

A joinvilense Maria Terezinha Reinert se deu ao luxo depois de um tratamento com Maffezzoli, baseado na medicina ortomolecular - que determina a suplementação, via minerais e vitaminas, dos tais nutrientes básicos, para que as células fora de ordem reencontrem seu lugar. O tratamento pôs fim a uma disfunção no sistema nervoso que afetava até os movimentos de Terezinha. Ela custou a descobrir a natureza do problema, apesar da peregrinação por consultórios de especialistas. "Ninguém sabia me dizer o que eu tinha, afinal", lembra. Recuperada, a dona-de-casa só lamenta não ter percebido mais cedo as benesses da alimentação saudável. "Desintoxiquei meu organismo. Hoje, minha saúde é ótima. Nunca mais tomei nem Anador", surpreende-se.

Terezinha: suco, frutas, fibras e nada de Anador

Comprimidos ou estilo de vida?
Embora sejam raros os consensos nesse terreno, a maior parte dos especialistas concorda com duas coisas: (1) o consumo de frutas, verduras, oleaginosas e produtos integrais auxilia na prevenção (e na redução) das doenças, (2) atividade física e bem-estar emocional também são ingredientes fundamentais. Ou seja, coma bem, pratique exercícios e mantenha o astral em dia, que você vai visitar menos o pronto-socorro. Claro que falar é mais fácil do que fazer. "A substituição da refeição familiar, completa e balanceada, pelo fast-food das ruas modificou o indivíduo fisicamente, enquanto a atividade física espontânea foi trocada pelo controle remoto da TV, computadores, carros, avanço tecnológico", anota a nutricionista Graziela Klein.

Os cardiologistas atestam que o aumento do número de mortes por males no coração tem tudo a ver com o "estilo de vida" atual. Duro é convencer o paciente. "Esperar que a pessoa altere seu estilo de vida numa consulta de alguns minutos, na qual o médico somente lista o que ela deve fazer, é querer demais", reconheceu o catarinense Jamil Schneider, em palestra no 59o Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro. Por isso, com freqüência o tratamento acaba se limitando a dar remédios, até naqueles casos em que a tal mudança de hábito seria eficaz. No congresso, o preparador físico Nuno Cobra atribuiu essa resistência ao senso de auto-destruição do ser humano. "Você sabe que mantém uma rotina diária pouco saudável e não faz nada. Se acordasse e fosse caminhar, seria mais feliz. Mas, na nossa sociedade, ser feliz é crime", polemizou.

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