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A desculpa esfarrapada é: ´Não tenho tempo´. "Somos nós que fazemos o tempo, nossa agenda tem nossa gerência", reage o médico Marco Aurélio Korbela, especialista em ergonomia. Empregando determinação e disciplina, o indivíduo pode, sim, cultivar hábitos melhores, desde que se comprometa consigo próprio. "Precisamos aprender que a mente manda no corpo e seguir essa filosofia", propõe. A ponte entre mente e corpo inspira estudos crescentes. No livro "Inteligência Emocional Aplicada", o consultor Daniel Goleman enfileira pesquisas científicas que comprovam, por exemplo, o "fator de risco tóxico" das "emoções perturbadoras" - como ansiedade crônica, tristeza, hostilidade e ceticismo - frente às doenças cardíacas. Nos Estados Unidos, 929 homens que haviam sobrevivido a ataques cardíacos foram acompanhados por até dez anos. "Os classificados como facilmente provocáveis à ira tinham três vezes mais possibilidades de morrer de parada cardíaca do que os de temperamento regular", relata Goleman. Portanto, sossegue! Em pacientes com altos níveis de tensão já foram catalogados efeitos como comprometimento do sistema imunológico, aumento da vulnerabilidade a infecções virais, riscos de ataque de asma e de doenças inflamatórias do intestino. "Tratar perturbações emocionais nos pacientes impede ou retarda o início da doença, ou os ajuda a se curar mais depressa", conclui o autor. Nada disso funciona se o sujeito não se conscientizar de que a existência saudável depende... dele, para início de conversa. "Cada pessoa é responsável por sua saúde, seja física, psicológica ou espiritual", defende o gaúcho Mauro Kwitko, homeopata, terapeuta floral e presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia Reencarnacionista. O médico lembra que o conceito de saúde está se ampliando: mais que a ausência de sintomas e desconfortos físicos, indica "uma sensação de bem-estar, de satisfação consigo mesmo, com os outros, com a vida". Aos interessados em alcançar esse estágio, Kwitko sugere que desenvolvam valores humanos como amor, paciência, compreensão, humildade e caridade, em vez de sentimentos negativos, que conduziriam aos maus hábitos, num círculo vicioso. Aposta
na prevenção "São doenças muito ligadas a hábitos ruins", observa Renato Monteiro, proprietário da Botica do Valle, uma das mais tradicionais farmácias de manipulação e homeopatia de Joinville. Em 2004, a Botica do Valle lançou programas de orientação sobre esses temas, em conjunto com empresas e entidades, por meio de palestras e distribuição de folhetos informativos. "Não espere ter hipertensão para adotar um estilo de vida saudável", alerta um dos folhetos. No final do ano, a farmácia assinou convênio com a prefeitura para estender o trabalho aos agentes de saúde, que devem atuar como multiplicadores por toda a cidade. Outras parcerias estão sendo fechadas para viabilizar, em 2005, "um evento de prevenção em saúde com envergadura nunca vista antes em Joinville", espera Renato. A mensagem central das campanhas é que o ser humano precisa aprender a respeitar seus limites - e a adquirir o equilíbrio pessoal que garante a qualidade de vida. "O corpo fala a todo instante conosco, em sensações, pensamentos, dores. Ele sabe do que precisamos e até onde podemos ir. Só temos que saber ouví-lo", aconselha a musicoterapeuta Francine Krum Gonçalves, paranaense que atua no Norte de Santa Catarina. Essa ciência utiliza a música para proporcionar bem-estar e harmonia ao paciente, a fim de ajudá-lo a reencontrar seu eixo, ou "equilibrar nossa orquestra interior", como diz Francine (leia mais no site da Revista Döhler). Ela traduz: "Cuide do seu lado emocional, físico e mental. Você é o melhor médico da profilaxia e do tratamento, como também o seu termômetro. Agindo assim, você vai viver melhor".
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