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O quarteto Reino Fungi faz um revival dos Beatles

ROCK PARA TODAS AS
TRIBOS


Com tendências e estilos os mais variados,
bandas de rock de Joinville batalham por
mais espaço e reconhecimento

Poucos têm menos de 20 anos, menos têm mais de 30. Estão no auge de sua juventude os dedicados batalhadores do rock´n´roll joinvilense, movimento de várias caras e roupagens, pleno de criatividade e pertinácia. Insistência, mesmo. Afinal, como sobreviver das próprias guitarras em uma cidade que, institucionalmente, tem interagido tão pouco com a arte musical e, sobretudo, com as cerca de 30 bandas locais.

Esses quase “heróis da resistência”, no entanto, fazem música porque gostam. Vivem para ela – embora poucos consigam viver dela. Quase impossível. Por isso, não raro, durante a semana, trocam os jeans rasgados e o olhar marejado de ritmo pelo leiaute discreto de funcionários de empresas, advogados, muitos deles, profissionais da área de informática, publicitários...

Semanalmente, encontros artísticos: pelo menos um para ensaiar, outro para show. Boa parte desses jovens já viveu a experiência de gravar um demo, um single. Alguns lançaram até cds – Reino Fungi, Vacine e Butt Spencer, por exemplo. Mas a cidade não oferece espaço para tantos e tão diferentes grupos. “Isso não é privilégio de Joinville, mas mesmo assim, é realmente uma pena. Temos um pessoal de ótima qualidade, um movimento muito rico de rock das mais diferentes tendências”, aponta o publicitário, radialista e crítico Fábio Raposo, que tem resposta pronta quando se pede exemplo dessa qualidade: “para se ter uma idéia, a banda Os Karadura virou o alter ego da Mississipi em Chamas, tradicional banda de apoio do músico Celso Blues Boy.”

Banda Vacine prepara dois CDs, um novo site e dois clipes

Mas não são apenas ao rapazes da Karadura, os abençoados por talento, vocação e dedicação. Há mais de uma década batalhando música – tempo em que alternou integrantes, pensou e repensou seus rumos inúmeras vezes e perseguiu com ainda mais garra seus objetivos, a Vacine estabilizou sua formação há cerca de 5 anos. O único álbum lançado pelo grupo mereceu elogios até na MTV. “Parece que temos uma identidade sonora muito própria”, interpreta o guitarrista Márcio Dall´Acqua, projetando para 2006 mais dois álbuns inéditos, o novo site da banda e, ainda, dois clipes. Os trabalhos todos serão lançados pela “Casa Voadora Records” selo dele próprio e do produtor Jefferson Kiewalgen – que é o autor do projeto “Novos Sons de Santa Catarina”, iniciativa que tem por objetivo produzir e divulgar bandas catarinenses e que já foi aprovada pelo Conselho Estadual de Cultura.

CENÁRIO TEM QUE MELHORAR
Pelo menos em criatividade e iniciativa, a Vacine não se encaixa no quadro acinzentado pintado pelo jornalista Rubens Herbst, subeditor do caderno cultural Anexo, do jornal A Notícia, sobre a realidade do rock local. Para ele, há dois grandes problemas – que estão intrinsecamente ligados: falta uma infra-estrutura que permita aos músicos exercer música, crescer artisticamente e, talvez por isso mesmo, falta conteúdo artístico. “Sinto que muitas bandas ainda se amparam nos covers, numa evidente contra-mão para quem quer almejar algo mais”, diz Rubens, explicando que cover é bom para trabalhar o entrosamento entre os músicos, ganhar um dinheiro – “mas ninguém vai muito longe tocando música dos outros”.

O jornalista garante que quem consegue um trabalho de qualidade, acaba aparecendo e arrebanhando fãs – como acontece com algumas bandas que já conquistaram um bom espaço em Joinville e região. É o caso de grupos como Os Depira, Reino Fungi, Vacine, Sanchez, Flesh Grinder e Canela Brasil – este, merecedor de um elogio: “está preparando um disco digno de uma grande gravadora.” Para Fábio Raposo, o Canela Brasil tem mesmo um perfil “pop”, com boas chances de despontar.

Mas, enquanto as grandes gravadoras não vêm, os músicos procuram alternativas aos problemas apontados por Rubens Herbst, sobretudo os de infra-estrutura, já que “ninguém agüenta passar a vida inteira tocando para amigos numa garagem” – como diz o jornalista. Nessa direção, surge a iniciativa de pessoas como Marcelo Rizzatti, d´Os Depira, Rafael Zimath, da Butt Spencer, do crítico Fábio Raposo, entre vários outros: está em gestação a Associação de Bandas e Músicos de Joinville, que pretende congregar a categoria, unindo forças para promover e ajudar a fazer crescer a produção local. Mais de 100 pessoas já se cadastraram na Associação durante o evento de lançamento que aconteceu em outubro, reunindo cinco bandas na praça Nereu Ramos. Que frutifique a semente.

Butt Spencer inova com o uso de sopros: pitada jazzística

CRIATIVIDADE À FLOR DE PELE
Evoluir musicalmente, aprender sempre mais e, sobretudo, manter-se fiéis a seus princípios musicais, influências e valores estéticos. Os sete integrantes da Butt Spencer costumam trabalhar em conjunto as canções – embora normalmente partam de uma proposta pronta do compositor do grupo Rafael Zimath. É um momento importante, considerando-se, sobretudo, que eles têm, além dos tradicionais guitarra/baixo/bateria, também trombone, sax tenor e sax alto – esses, músicos oriundos de bandas marciais.

Dar o formato final à canção é, por isso mesmo, um desafio e tanto. Respeitando as preferências e influências musicais de cada um, o grupo, que já existe há quase 11 anos, gosta de fazer coincidir o processo de gravação com o da composição. A estratégia parece dar certo – o CD lançado pela Butt Spencer, tem nome comprido e consistente conteúdo. “Dogmas, Dilemas e Perguntas sem Respostas” tem letras inteligentes, é musicalmente harmonioso e chega transpirar um pouquinho de jazz, pelas entre-notas e dissonâncias. Influência reconhecida por Rafael, que não se constrange de confessar que o processo criativo da turma tem um pouco a ver, sim, com a dinâmica do jazz.

Ponto para eles. E para o público que curte música boa.

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