UNS
& OUTROS
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| Ciclistas-aventureiros
no paradisíaco pôr-do-sol do Nordeste |
UMA
BOA IDÉIA
Viajar
longas distâncias pedalando, rumo a lugares desconhecidos. Não
é para qualquer um. O cicloturismo, nome dessa atividade, atrai
milhares de adeptos pelo mundo. Na Europa, os praticantes dispõem
até de estradas exclusivas (chamadas “vias verdes”)
cruzando vários países. Só que no Brasil quem faz
turismo de “zica” ainda é tachado de maluco. “A
aventura pode ser louca, mas o aventureiro tem que ser muito equilibrado”,
diz o inglês Gilbert Chesterton, citado por fãs do cicloturismo.
O fotógrafo joinvilense Jaime Machado, o Pena Filho, resolveu
encarar o desafio. Com três amigos – mais experientes que
ele em expedições sobre duas rodas –, venceu 1.200
quilômetros entre Salvador e Recife, aí somados os acessos
às incontáveis cidadezinhas paradisíacas visitadas
pelo caminho e os passeios por quatro capitais. “Juntei duas paixões:
a bicicleta e a fotografia”, resume Pena, satisfeito por ter tido
o “tempo certo para apreciar tudo”, coisa que de carro “seria
impossível”. Ele garante que não faltou fôlego
para as seis horas diárias a bordo da bike, necessárias
para fechar o roteiro previsto, que exigia algo como 70 quilômetros
repartidos em dois turnos, de manhã e à tarde.
Além
de curtir praias de cinema, desertas, e um sol de rachar coco, o quarteto
aproveitou a jornada para multiplicar conselhos ecológicos em
pequenas comunidades. “Conseguimos pôr na cabeça
de muita gente a idéia da reciclagem e o problema de acumular
lixo”, relata o fotógrafo, impressionado com o “fascínio”
que a bicicleta despertava nas pessoas. “Olhavam como se fôssemos
heróis.” A cicloviagem também serviu para um contato
permanente com a Natureza, quase contemplativo, dormindo em redes, à
beira da praia. E oportunizou uma convivência muito próxima
com a gente simples da região, que freqüentemente oferecia
pouso aos aventureiros. “Trouxemos ensinamentos que valem para
a vida”, confessa Pena. O grupo já prepara a seqüência
da excursão, em abril 2006, de Recife aos Lençóis
Maranhenses. Quer continuar a pregação pelo verde –
agora mais organizada, levando folhetos didáticos e divulgando
as etapas da viagem em um site alimentado via notebook. “Vamos
transformar isso em um projeto sério e educativo.” Só
falta o patrocínio.
DEPOIS DE LER,
NAVEGUE
Visite
o site do Clube de Cicloturismo
do Brasil, que traz artigos e roteiros.
www.clubedecicloturismo.com.br
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| Sesc
trouxe exposição com réplicas de violões
antigos |
UM
ESPAÇO CULTURAL
Teatro,
dança, artes plásticas, música, literatura, cinema.
Em 2005, raras instituições joinvilenses agitaram tanto,
em todas essas áreas, quanto o Sesc – Serviço Social
do Comércio. Dê uma olhada: foram quatro peças,
sete exposições, quatro espetáculos musicais, seis
iniciativas no campo das letras, outras duas ligadas à sétima
arte e, para completar, uma coleção de projetos bacanas,
como “Cante Coral”, “Biblioteca Ambulante” e
“Sextas Alternativas”. Até outubro, o Setor de Cultura
do Sesc Joinville computou 169 mil atendimentos, incluído aí
o pessoal que freqüenta cursos (como dança de salão
e contadores de história) e assiste a conferências. Um
dos responsáveis pelo barulho foi Cristóvão Petry,
que coordena o Setor de Cultura. “Trabalhamos pelo fortalecimento
dos projetos desenvolvidos no Sesc em nível regional e nacional”,
explica, orgulhoso pelo resultado: “O reconhecimento da comunidade”.
Cristóvão assiste com expectativa ao avanço gradual
da cultura nas empresas e instituições locais. “Poucas
apóiam ou pensam na arte como investimento humano. O retorno
é de longo prazo, mas quem participa sabe o quanto ela nos modifica”.
SÓ
UMA AMOSTRA
Um pouco do que o joinvilense viu no Sesc em
2005 |
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Peças
“Acordei que Sonhava” e “Auto da Barca do
Inferno” |
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Exposições
“Jogos de todo o Mundo”, “O Universo Bruxólico
de Franklin Cascaes” e “Estética do Futebol
e Outras imagens”, de Rubens Gerchman |
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Espetáculos
Quadro Cervantes (RJ) e Anima (SP) |
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Circuito
Catarinense de Música, com o violonista Marcus Llerena
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Baú
de Histórias – Circuito de Narrativas –
cinco espetáculos (apresentações em Joinville,
São Francisco, Araquari, Garuva e Itapoá) |
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UM PAPO com Juan
Carlos Vezzulla, idealizador e vice-presidente do Conselho
Administrativo do Instituto de Mediação
e Arbitragem do Brasil (Imab).
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O
que é o Imab?
É uma entidade sem fins lucrativos que busca resolver
conflitos utilizando a mediação e a arbitragem.
Com procedimentos extrajudiciais, tentamos apaziguar os dois
lados, respeitando as características de cada envolvido.
O instituto ministra cursos em Joinville para quem quer se capacitar
a ser um mediador. Qualquer pessoa pode participar. Além
disso, pretendemos implantar um projeto-piloto em três
escolas, nas quais os problemas com os alunos serão resolvidos
pelos próprios diretores.
Como
funciona a chamada “mediação familiar”,
disponível no Fórum de Joinville?
O serviço foi implantado em setembro de 2002 e tem como
proposta oferecer um atendimento ágil e individualizado
aos usuários que procuram auxílio nas Varas de
Família para resolver seus conflitos conjugais e problemas
relacionados a separações, como pensão
alimentícia, dissolução de sociedade de
fato, divisão de bens, guarda dos filhos, regulamentação
de visitas e modificação de guarda. As pessoas
que têm processos correndo na Justiça também
podem optar pela mediação. O mediador é
um terceiro imparcial, que busca um acordo amigável e
que satisfaça a ambos.
Quem
é o público desse serviço?
Sobretudo aqueles cujo poder aquisitivo não permite o
pagamento de honorários a profissionais da rede privada.
O limite é de renda familiar de até dez salários
mínimos.
Como
é a estrutura?
O serviço se compõe de um coordenador, um coordenador
técnico e operacional e a equipe de execução:
um técnico formado em Direito, um estagiário e
seis mediadores voluntários. Temos dois mediadores familiares
por dia, das áreas de Direito, Pedagogia, Psicologia
e Serviço Social. Contamos também com o apoio
da Faculdade de Direito da Associação Catarinense
de Ensino (ACE), que presta orientações jurídicas,
quando necessário. São agendadas seis mediações
diárias, com duas horas cada.
E
a mediação com adolescentes?
A operação é a mesma, embora o enfoque
seja outro, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Busca-se que o adolescente seja escutado, respeitado e tratado
como sujeito participante das decisões judiciais. Inicialmente
se faz uma pré-mediação com o adolescente
e seus pais ou responsáveis, para que compreendam o objetivo
da Vara da Infância e da Juventude, de auxiliar o adolescente
a elaborar o ocorrido e rever sua situação. A
mediação se dá entre o representante da
Vara e o adolescente. Oferece o espaço e procura trabalhar
a revalorização e o reconhecimento para que o
adolescente possa compreender sua realidade, suas necessidades,
aprofundar-se em seus relacionamentos e no ato infracional.
Com isso, pretendemos que a mediação possa se
constituir num espaço propício para construir
a história do adolescente, assegurando-lhe o sigilo,
já que a mediação é um processo
informal.
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