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Doutor executivo Salve o planeta Institucional

CORRIDA DE OBSTÁCULOS
Alunos e ex-alunos de Joinville revelam
desafios para conquistar o
mestrado e o doutorado

• O publicitário Pedro Ramirez (foto) casou-se no dia 14 de fevereiro de 2004. Dois dias depois, começou o Mestrado – pela FGV, em São Paulo. No primeiro ano, obrigou-se a, sozinho, manter um teto por lá, já que tinha aulas de segunda a quinta. “Vinha para Joinville, para minha casa e minha recente esposa, a cada 15 dias”, relembra. “A experiência foi fantástica, deixei de odiar São Paulo, o que me parecia impossível, mas havia a saudade e os problemas financeiros.” No segundo ano, virou o disco: morava aqui e passava dois dias por semana na metrópole, hospedando-se no apartamento de um amigo. “Sempre que chegava a hora de viajar, ficava me perguntando por que raios havia escolhido a FGV...” O vaivém provocou, claro, um desgaste físico brutal. Em 2006, Ramirez finalmente pegou o diploma. “Foi um período dicotômico, de altos e baixos na vida pessoal, emocional e profissional. Costumo dizer que paguei cada centavo para ter o selo FGV no diploma. Mas valeu a pena. Se precisasse, faria tudo novamente.”




• A jornalista e professora Izani Mustafá (foto) liga o carro às 5h30, toda quinta-feira, para estar às 8h no campus da Udesc, em Florianópolis, onde cursa mestrado em História do Tempo Presente desde março de 2007. Passa a noite na ilha, aproveita o tempo livre para estudar e encara outra aula já nas tardes de sexta. Em seguida, pega a estrada de volta, para lecionar no Ielusc aos sábados pela manhã. O cansaço pesa – roda 1.400 quilômetros por mês –, os engarrafamentos irritam, os gastos são altos, mas Izani não perde o pique: “Optei por investir em conhecimento. Vai ser importante para minha carreira”. A tese de Izani, em andamento, fará um apanhado da história da radiodifusão de Joinville, abrangendo o período de 1941 a 1961. Ela lamenta não ter encontrado em sua cidade uma opção de curso dentro da linha que desejava. “Só porque estamos em uma cidade industrial não quer dizer que as pessoas que moram aqui não queiram se aperfeiçoar em áreas humanas e sociais, como comunicação, filosofia e sociologia.”



• “O mestrado abre horizontes”, acredita Silvio Simon, gerente de Comunicação e Marketing da Univille, onde busca o título no curso de Administração promovido em convênio com a PUC do Paraná. Silvio comemora a oportunidade de fazer tudo aqui, tendo acesso a uma instituição conceituada sem sair de Joinville. “É sempre complicado procurar por esse tipo de formação fora da cidade, com o ritmo de trabalho que vivemos”, afirma. Satisfeito com o nível das aulas e já pensando num doutorado, ele saúda o “crescimento qualitativo e quantitativo” das instituições educacionais locais, apostando que a formação desses profissionais vai se refletir na futura ampliação da oferta. Espera, agora, que elas se aproximem cada vez mais das empresas privadas. “Sem união, a busca pela inovação fica mais difícil. A produção científica originada nos mestrados é um novo impulso que a universidade pode dar para os setores industriais e sociais da região.”



• Coordenador da faculdade de Design da Univille, João Sobral cursa o único doutorado nesta área disponível na América do Sul, por meio de um programa oferecido em Florianópolis pela PUC do Rio de Janeiro, integrado também pela Udesc. O objetivo é, mais adiante, montar um mestrado e um doutorado próprios em Joinville. “Queremos caminhar para nos tornar referência e deter a excelência nesta área”, projeta Sobral.



• Há dez anos, o professor Norberto Kuchenbecker largou um empregão para ingressar no Mestrado em Administração pela UFPR. Teve que fixar residência em Curitiba, o investimento (quase R$ 50 mil) foi maior que o esperado, mas o balanço é positivo: “O título alavancou minha carreira”, diz o diretor da Faculdade Cenecista de Joinville (FCJ). Em 2006, deu mais um passo, concluindo o doutorado em Engenharia da Produção na UFSC. Chegar lá foi uma prova de resistência: “A coisa é toda feita para você não conseguir. Poucas pessoas têm a ousadia necessária”. Para o professor, falta às instituições locais uma política de investimentos em cursos de especialização a fundo perdido. “Mestrados e doutorados não trazem retorno financeiro e é grande a possibilidade de gerarem prejuízo. Mas são fundamentais para a cidade.”


• “Joinville está dando os primeiros passos. São os mais importantes.” Aluno bolsista do mestrado em Física na Udesc, o jovem Francisco Alfaro, 23 anos, torce que essa caminhada possa ampliar as oportunidades disponíveis para os profissionais que desejam aprimorar seus conhecimentos. “Será necessário um incentivo maior à pesquisa científica”, opina, “com financiamentos do governo e do setor privado”.


A Capes avaliou

2.266 programas
de pós-graduação em 2007. Destes,
35,4%
alcançaram conceito
4,
que significa bom desempenho.
21,1%
tiveram nota
5,
que sinaliza alto nível de desempenho. E
9,7%
tiveram notas máximas, de
6 e 7.
Na base da pirâmide,
4%
receberam conceitos
1 e 2
insuficientes para a recomendação

SÓ NO SITE
HORA DE SAIR DO “ACHISMO”


Mestranda em Administração de Empresas, especialista em Psicologia Organizacional e Psicologia do Trabalho, a consultora Lise Steigleder Chaves, da CC&G Gestão de Pessoas, analisa nesta entrevista o investimento crescente das empresas privadas em iniciativas que viabilizem uma maior oferta de cursos de mestrado aos seus profissionais.

A consultora Lise: "As carreiras estão se estreitando
e um dos critérios para promoção é o conhecimento aplicado"


Em que áreas se concentra o interesse das empresas nos programas de mestrado?


Há muitos anos que as indústrias do Norte catarinense investem na capacitação profissional, inclusive patrocinando cursos de mestrado, especialmente nas áreas de engenharia. Via de regra, essas pessoas trabalham com processos, desenvolvimento de produtos e pesquisa e desenvolvimento. A oferta de mestrado na área de administração ainda é esporádica na região, mas quando ocorre há adesão e as empresas também patrocinam, envolvendo profissionais de todos os níveis hierárquicos, entre eles, executivos.

Mas essa é uma tendência?

Sim, é tendência porque as carreiras estão cada vez mais estreitas e um dos critérios para promoção é conhecimento aplicado: um executivo com conhecimentos mais profundos sobre determinada área poderá contribuir de forma mais consistente quando juntar sua experiência com a teoria.

Já há uma procura específica por profissionais com graduação mais elevada nos processos de seleção profissional?

Nas áreas técnicas, sim, mas ainda de forma pontual. Na nossa experiência, nunca foi solicitada à contratação de um executivo que tivesse feito mestrado ou doutorado. Pós-graduação é requisito freqüente. Um aspecto interessante é que os profissionais que procuram mestrados muitas vezes estão considerando a carreira acadêmica como possibilidade futura.

Qual a importância para a empresa em manter executivos com nível de mestrado/doutorado?

A importância é que as pessoas transferem o conhecimento para o negócio; aplicam no dia-a-dia conceitos mais consistentes e já testados saindo do “achismo” e do saber imediato. Nas áreas técnicas isso é francamente reconhecido como diferencial, pois ao projetar um sistema ou produto qualquer o que se colo
ca ali é ciência aplicada. Nas áreas administrativas e humanas, é mais tolerado que o conhecimento seja baseado na experiência operativa (não que isso seja totalmente negativo, até porque a partir da prática muitos profissionais buscam conhecimento formal e são reconhecidos como expertises naquela área), mas o problema é que ainda não se vê nessas áreas um número relevante de profissionais que tenham sustentação teórica aplicar na prática e para defender posições.

Acredita na perspectiva de a oferta de cursos locais de mestrado se expandir?

Sim. E isso pode ser um benefício não só para as empresas, mas para a educação particular ou pública ofertada em Joinville, para a municipalidade, ONGs. Todos ganham. Quanto mais educada é uma comunidade (e não estou me referindo só a mestrados e doutorados, mas ao ensino de qualquer grau), mais riqueza ela gera, menores são os índices de criminalidade, de doença, maior é a condição de trabalho e de empreendedorismo. Se olharmos rapidamente para os grandes centros de produção, encontraremos ali grandes centros de conhecimento.

NAVEGUE AQUI
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Visite os sites das empresas e instituições citadas nesta reportagem: Tupy, Embraco, Datasul, Sociesc, Univille, Udesc, Weg, Whirlpool Eletrodomésticos, CC&G Gestão de Pessoas.

No portal do Capes, confira as estatísticas dos cursos de mestrado e doutorado em todo o país.


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