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Poltronas vazias Dá um tempo! Institucional

A BOLA
DO BEM


Consagrados no esporte, Giovane Gávio
e Alberto Bial formam times de excelência
em Joinville e consolidam ações de resgate social

Giovane pensa em ajudar as crianças a não perder a capacidade de sonhar. Bial entende o esporte como forma de educar. Um, mineiro de Juiz de Fora. Outro, carioca da gema. Um flamenguista, outro fluminense. Dois talentos de renome que aportaram em Joinville e ficaram. Por quê?

Aqui encontraram eco para projetos profissionais e pessoais. Aqui contaram com a ajuda necessária – embora ainda haja muito espaço de crescimento – para os planos, tantos, da dupla. Aqui, sobretudo, depararam com gente disposta a apostar na idéia de que o esporte não deve ser ação isolada, nem responde a todas as necessidades de um povo, mas é uma ferramenta importantíssima de mobilização comunitária – vôlei e basquete já têm torcidas devidamente organizadas – e um caminho a mais na direção da plena cidadania.

Alberto Bial, que chegou à cidade há três anos, esteve na iminência de ir embora, quando, para sorte de Joinville, foi fisgado pelo desafio de construir um caminho ainda mais sólido no basquete local. Ele admite que a perspectiva de somar, ao trabalho com um time de alto desempenho, a dedicação plena ao esporte-cidadania, espalhando o "vírus" do basquete de rua pelos bairros e oferecendo oportunidade às crianças de todas as camadas sociais, foi o que o transformou em cidadão joinvilense. Agora, honorário, título concedido pela Câmara de Vereadores, ao reconhecer formalmente a atuação solidária do técnico que colocou o Ciser/Araldite/Univille entre os quatro melhores times do país. A convite do promotor Affonso Ghizzo Neto, Bial assumiu a coordenação, na área do esporte, da campanha "O que você tem a ver com corrupção", iniciativa da Associação Catarinense do Ministério Público e do Tribunal de Contas lançada nacionalmente no ano passado.

Giovane, há pouco mais de um ano na cidade, trouxe estrelas de primeira grandeza que o ajudam a fazer brilhar os olhos de crianças, adolescentes e adultos, que acompanham com fidelidade a trajetória não menos vitoriosa do Tigre/Unisul. Fora dos difíceis embates das competições da Liga, o trabalho com o que ele chama de categoria de base é um compromisso que encara com seriedade. E alegria. Gigio, o atleta que conquistou duas medalhas de ouro olímpicas, empenha-se em oferecer a outros brasileirinhos e brasileirinhas a oportunidade de se realizar e evoluir através do esporte. Discorre com indisfarçável orgulho sobre seus projetos sociais, incentivando crianças à prática do voleibol. Mais do que garimpar talentos, uma chance-extra para esses meninos e meninas incorporarem os importantes valores que o esporte ajuda a desenvolver – como disciplina, determinação, senso de equipe, dedicação, persistência. Como diz Bial, mesmo que não venham a ser atletas de ponta, essas crianças serão certamente pessoas de bem.

Giovane Gávio, pai recente de seu quarto filho, Thiago – que vem fazer companhia a Filipe, Giulia e Gian –, e Alberto Bial, coruja de duas filhas já adultas, falaram com exclusividade para a Revista Döhler sobre a vida na Manchester Catarinense, seus projetos e ideais. Os dois não têm dúvidas quanto ao impacto da prática desportiva na vida do jovem brasileiro. Confira o bate-bola com os craques.


Como o sucesso dos times, no basquete e no vôlei, pode influenciar positivamente o jovem joinvilense?


Bial – Há conseqüências importantes para a comunidade. A primeira é a própria mobilização em torno do esporte, que pode se traduzir em novas iniciativas para promover qualidade de vida e saúde, especialmente entre as comunidades carentes. Ao ter acesso ao esporte, o jovem vai se desviar de outros caminhos, quase sempre ruins. Um jovem a mais no time de basquete de rua é um jovem a menos na droga, por exemplo.

Giovane – O time de sucesso acaba virando modelo para crianças de adolescentes. Eles se reúnem em saudáveis torcidas organizadas, por exemplo, que acompanham o time, espelham-se nele. Vão criando boas referências de vida e desenvolvendo valores importantes. Além disso, esse sucesso também ajuda a abrir novas portas de integração social pelo esporte.

Bial virou celebridade: “Temos que dar bons exemplos”

E o sucesso pode projetar de forma consistente o nome da cidade, colocando Joinville no mapa nacional de outros esportes de alto desempenho, já que no futebol...

Bial
– É... Enquanto o futebol não ressuscita – e a gente torce que isso aconteça logo –, eu acho que o Ciser/Araldite/Univille e o Tigre/Unisul chamam atenção do país para esta que é uma bela cidade, que ainda tem muita coisa para mostrar e muitos exemplos a dar.

Giovane – E o bacana disso é que, além de perceber claramente o reflexo de nosso trabalho na maior visibilidade que a cidade tem, especialmente no meio esportivo nacional e internacional – veja que ambas as equipes, vôlei e basquete, têm atletas de seleção e de experiência internacional –, posso garantir que é sempre com muito orgulho que, esteja onde estiver, refiro-me a Joinville, a cidade que me acolheu com tanto carinho.

Como sentem o envolvimento de Joinville com o esporte?

Bial – Não chega a ser surpresa, mas é gratificante ver como a cidade se engajou na causa do esporte, com a vinda de times de ponta no vôlei, no basquete e até no futsal. Hoje, o jovem joinvilense conhece seus times, já elegeu seus ídolos, vai às quadras ajudar as equipes e tem comportamento exemplar nos jogos. Também as lideranças começam a despertar para a causa do esporte e a se preocupar em oferecer novas oportunidades a quem queira praticá-los. Quanto mais se investir em esporte, menos será necessário investir em tratamento médico e remédios, por exemplo. É, portanto, uma causa muito justa e lucrativa, sob o aspecto institucional.

Giovane participa de ação social: “O ídolo inspira
a criança a sonhar com um mundo melhor"

Giovane – Fiquei muito feliz ao perceber o crescente interesse dos joinvilenses, sobretudo os mais jovens, pelo esporte. Arrisco-me a dizer, até, que a cidade me parece diferenciada, pelas ações que já promove de incentivo ao desportista. Claro que ainda há muito a ser feito, precisamos de mais e maiores espaços físicos, precisamos estar presentes nos bairros, levar as opções às crianças que moram longe. Mesmo assim, Joinville se compromete com um trabalho sério e bem realizado em benefício do esporte – e de todos.

Como ídolos que são, qual a sua responsabilidade diante de tantas crianças que querem seguir os passos de vocês?

Bial – Nossa responsabilidade aumenta, e muito. Somos responsáveis pelo que cativamos – e isso é bom porque você pode multiplicar as idéias e ideais em que acredita. Em tese, todo atleta deveria dar bons exemplos. O que por vezes ocorre, infelizmente, em esportes de maior visibilidade, é que o atleta não tem preparo psicológico para enfrentar o novo mundo em que se insere, do dinheiro e da fama. Então, cresce a importância da atuação do técnico e dos dirigentes em trabalhar para manter o atleta em seu foco e somar às vitórias, o exemplo de integridade, disciplina e dedicação.

Giovane – Eu acho que ídolos têm a obrigação de ser referenciais positivos para crianças e jovens, principalmente. Ídolos têm que oferecer à sociedade a contrapartida da confiança e do prestígio que recebem – e que é, em última instância, o que o faz ídolo, somado, claro, a seu desempenho e dedicação pessoal. O ídolo é aquele cara que inspira a criança a sonhar com um mundo melhor, uma vida melhor. E cabe a ele trabalhar para que mais e mais crianças tenham a oportunidade de materializar seus sonhos, seja no esporte, seja em qualquer outra profissão. Porque o ídolo precisa ser referência em dignidade.

E isso também se reflete numa conduta que possa ser contraponto a esse tempo difícil que vivemos, no que se refere à ética pública, com tantas denúncias de corrupção em praticamente todas as instâncias?

Bial – Sem dúvida. Você vê que ainda há muita coisa para mudar. Corrupção é tema recorrente, mas acho que já tem gente boa por aí, há uma resistência ética que nos faz ter um pouco mais de esperança. Meu papel na campanha contra a corrupção é levar esta mensagem de que todos somos responsáveis e todos temos que exigir um país melhor, mais justo e honesto. Este é um dos pontos essenciais: precisamos promover justiça social, oferecer oportunidades para todos, tratar a todos de forma igual. Aqueles que infringem alguma regra, por exemplo, devem ter o mesmo tratamento, sejam ricos, pobres, negros ou brancos. Não dá para entregar o jogo, temos é que virar o jogo.


Giovane – Entendo que vivemos uma crise de credibilidade e isso nos prejudica, no aspecto social. Eu me explico: há ótimos projetos, gente boa e bem-intencionada, que trabalha diariamente em favor da comunidade, mas não consegue apoio, por causa dessa crise em que ninguém mais acredita em nada. O atleta pode ajudar a resgatar esse valor, que é fundamental para unir as pessoas em torno de propostas e idéias inovadoras, que são valiosas para todos – mas especialmente para aqueles que têm menos oportunidades.

E como vocês analisam a participação de empresas nos projetos esportivos que vocês capitaneiam?

Bial – Sem o apoio das empresas que nos patrocinam, não existiriam esses resultados. E isso não se refere apenas aos times. Eu tenho uma idéia de promover o basquete de rua, de colocar cestas nos bairros. No Rio de Janeiro, a idéia evoluiu e se consolidou. É um projeto de custo pequeno e que assegura excelentes resultados. Ao apoiar essas idéias, as empresas oferecem à comunidade a sua contrapartida social. E isso é maravilhoso.

Giovane – O investimento das empresas é o nosso combustível. Sabemos que as equipes de alto rendimento são caras. Mas também sabemos que, ao oferecer apoio a projetos como esses, as empresas ganham, criam referências na comunidade, interagem mais com a sociedade, além dos resultados positivos naturais que a exposição da marca acaba promovendo. É interessante presenciar a interação entre a empresa, o esporte e a comunidade, porque é uma relação produtiva para todos. Por isso, acho que não deveria ser tão difícil conseguir patrocínios. Mas vejo Joinville como um diferencial: onde você encontra uma cidade que tem times de ponta em três esportes, como aqui? Tenho consciência de que há ainda um grande espaço para esses esportes crescerem, junto com a comunidade.

DOIS TOQUES
Quem são as estrelas do esporte que
vieram fazer diferença em Joinville
Giovane Gávio, mineiro de Juiz de Fora, 38 anos a completar em 7 de setembro, casado, pai de quatro filhos. Como atleta, medalhista olímpico em 1992 e 2004 foi campeão mundial em 2002, tetracampeão da Liga Mundial e pentacampeão sul-americano. Treina o Tigre/Unisul há um ano – antes, foi jogador da equipe. Está à frente de vários projetos de cunho social, entre eles, o Unisul Esporte Clube, que oferece vôlei a 4 mil crianças de 25 cidades catarinenses e uma baiana – Camaçari.

Alberto Bial, carioca, 55 anos, casado, pai de duas moças, está há três anos em Joinville e foi agraciado com o título de Cidadão Honorário em 2007. Foi atleta de basquete e treinador de várias equipes, antes de desembarcar na cidade. Aqui, faz história, ao ostentar quatro títulos: um nacional, um estadual e dois regionais. Dedicado à causa social, é intransigente defensor do esporte como instrumento de cidadania. Recentemente, reuniu mais de 200 crianças na Univille, para um dia de inscrições à escolinha gratuita de basquete, empreendimento que coordena, com apoio da empresa Brascola. Mas não pára de bater na tecla de que as escolas públicas têm que abrir as portas nos finais de semana e oferecer espaço para a comunidade praticar esportes – e conviver mais.

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IDÉIAS QUE FICAM

“Sou muito romântico, digo que o amor é que me inspira. O amor que tenho pela vida, pela Natureza e pelo que mais gosto, as pessoas. Adoro e aprendo muito com a diversidade que existe em um grupo esportivo. E acho, sim, que temos uma responsabilidade maior nessa condição de liderança. Não é gabolice, mas a certeza de que todos temos que fazer a nossa parte em benefício do conjunto.”
Alberto Bial

"Aprendo muito com a diversidade de uma equipe desportiva"

“Um verdadeiro ídolo faz história não apenas no dia-a-dia de sua profissão mas, sobretudo, no exemplo que deixa para as futuras gerações. E no trabalho que faz ajudando a acrescentar valores à sociedade em que está inserido. Um verdadeiro ídolo entende bem que seu maior desafio está fora da quadra: é na vida, que ele precisa mostrar a importância de fazer do esporte um referencial de ética e qualidade de vida para todos.”
Giovane Gavio.

"Nosso maior desafio está fora da quadra. Está na vida"

NAVEGUE AQUI
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Conheça o site da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

Visite a página virtual da equipe de vôlei da Tigre/Unisul.

Leia texto sobre a história do basquete de rua
(da Liga Oficial de Streetball do Brasil).



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