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PARA FORMAR MÚSICOS
EM JOINVILLE
Escola Villa-Lobos pode ser o berçário
de músicos da nova orquestra
A música
erudita de Joinville não vive só de gente grande. Desde
1967, a Escola de Música Villa-Lobos (EMLV) atua na cidade
formando músicos e musicistas das mais variadas especialidades,
ligada à
FCJ. Em comparação com uma escola normal, a EMLV corresponde
ao nível médio. São 620 alunos, que recebem de
cinco a 12 anos de formação, nos níveis básico,
intermediário 1 e 2 e avançado, com certificados de conclusão
em todos os cursos. Além dos instrumentos eruditos, como os
de cordas, a escola também oferece cursos de contrabaixo e
guitarra elétricos, violão, piano e acordeão.
Há também
aulas de canto e, em 2009, a novidade será o curso de flauta
transversa.
Há seis anos, a EMLV passou por uma reformulação,
que incluiu um novo projeto político-pedagógico, buscando
repensar os anseios dos alunos que a freqüentam. Com isso, passou
a abarcar formações erudita, popular e sacra num mesmo
espaço,
segundo a preferência do aluno. Outra novidade foi o direcionamento
do nível avançado, que pode durar dois ou três anos.
O aluno pode escolher se deseja se preparar para um vestibular para
curso superior em música, se quer dar aulas ou deseja se apresentar
com repertório popular, tornando-se um “músico da
noite”. Nos quadros da Villa-Lobos estão 31 professores
com ensino superior, 80% pós-graduados. Crianças
a partir de 6 anos de idade (2ª série do ensino fundamental)
podem ingressar na escola. Para todos os cursos, a mensalidade fixa é
de R$ 35.
A coordenadora da escola desde 2004, Lucy Mary Costa Leão, ressalta
que é possível que, caso Joinville ganhe uma orquestra,
a EMVL seja um celeiro de músicos: “Podemos atender a
essa demanda de formação, pois nossos professores são
capacitados e a escola já conta com atividades como orquestras
de cordas e câmara para alunos do nível avançado”.
Porém, por enquanto, fora as iniciativas da própria EMVL,
os alunos de formação erudita não contam com
muitas opções para exercitar suas habilidades. “Alguns
alunos nossos fazem parte da Orquestra Sociesc, mas os demais necessitam
procurar
em outras cidades”, lamenta Lucy Mary.
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“TEMOS QUE INJETAR
CULTURA NO POVO”
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Se
alguém
acha que é fácil montar espetáculos de música
erudita na cidade, está enganado. “É um desafio
extremamente trabalhoso”, descreve a produtora cultural Albertina
Tuma, “e exige que o produtor seja responsável, apaixonado
e corajoso”. Ananias Almeida, que atuou como produtor na
década
de 90, concorda: “É o tipo de coisa em que não
existe meio-termo. Ou você faz bem feito, ou está enrolando”.
Verdade: o trabalho de preparação de espetáculos
envolve grandes cifras e a credibilidade de produtores, apoiadores,
patrocinadores e dos próprios artistas. Até aí,
tudo bem. Mas onde conseguir esse dinheiro?
Para se ter idéia, os valores da apresentação
do “Russian Virtuosi of Europe”, promovida por Albertina
em maio, giraram em torno de R$ 50 mil. “Sozinha não
consigo trazer ninguém para se apresentar em Joinville. Necessito
de apoio, tanto financeiro quanto logístico”, diz Albertina,
que conta com uma média de 20 profissionais em sua equipe em
todas as apresentações. “Todas as grandes empresas
da cidade nos apoiavam”, conta Ananias, “mas sempre batíamos
de porta em porta e mostrávamos a seriedade dos projetos”.
Maria Joaninha Marques de Almeida, a Jô, esposa de Ananias,
era a parceira de luta por dinheiro para fazer a cultura circular.
“Sempre deixávamos claro que os espetáculos eram
um serviço à cidade”, relembra. E completa: “O
contato sempre era fácil, já o resultado, nem sempre”.
Albertina conta que a captação é complicada,
mas que normalmente consegue o valor necessário para incluir
Joinville nas turnês dos grupos no Brasil. “Procuro
cobrar um preço acessível pelo ingresso, entre
R$ 40 e R$ 50, e por isso dependo mais ainda de patrocínio”.
Seu projeto chamado “Concertos Internacionais” foi
contemplado com incentivo da Lei Rouanet, que concede dedução
no imposto de renda das empresas proporcional ao apoio concedido.
Mesmo assim,
já teve de cancelar um espetáculo – de dança,
em que a dificuldade de captação também é
grande – por falta de patrocínio. “Aconteceu
com a Ana Botafogo, no ano passado. Fiz uma programação
para Joinville e Jaraguá. Lá, recebi o apoio integral
na primeira empresa que visitei. Aqui, onde pensei que seria
mais
fácil, nenhuma das mais de 50 empresas que procurei quiseram
fazer parte do projeto”.
No
fim das contas, só há uma conclusão: se não
for por paixão pela cultura, ninguém encara o desafio
de promover eventos. “Claro que tenho o meu ganho financeiro,
porque tenho de viver, mas tenho amor pelo que faço. Se tivesse
mais patrocínio, traria mais gente”, sorri Albertina.
“Devemos nos doar para esse trabalho”, afirma Ananias,
“e saber que temos de injetar cultura no povo”.
Ananias Almeida e Jô trouxeram para
Joinville:
- Tadeu do Amaral, Fábio Zanon, Orquestra de Câmara
de Blumenau, Arthur Moreira Lima, Orquestra Feminina de São
Bento do Sul, Everton Gloeden, Marcelo Resende e Daniel Binotto.
Já se apresentaram em Joinville,
com produção de Albertina Tuma:
- Donbass (Ucrânia), Orquestra de Stuttgart (Alemanha), Philadelphia
Virtuosi Chamber Orchestra (EUA), Trio Guarnieri (República
Tcheca), Vienna Art Orchestra (Áustria), Ensemble Astor (Suíça),
I Musici de Montreal (Canadá), Trio Modigliani (Itália),
Swiss Piano Trio (Suíça), Russian Virtuosi of Europe
(Rússia) e Quinteto de Chicago (EUA).
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COMO DEVERIA SER O
TEATRO DE JOINVILLE?
A
maioria dos entrevistados desta reportagem disse que, para completar o
cenário musical da cidade, falta um grande teatro, em condições
de receber grandes espetáculos. O Juarez Machado, que comporta
492 espectadores, não é suficiente para abrigar tudo o público
que deseja apreciar a cultura na cidade, na opinião deles. Sendo
assim, como deve ser o teatro de Joinville, na opinião dos entrevistados?
“Deve
ter entre 800 e 1.200 lugares, e se tornar o lugar ideal para a apresentações
da orquestra de Joinville” – Ananias Almeida, violonista
erudito e produtor cultural
“A
acústica é a primeira coisa em que se deve pensar. Os
espectadores devem ouvir a apresentação de maneira
uniforme em qualquer lugar do teatro. O palco deve ter as medidas
corretas para comportar vários
tipos de apresentação e também deve haver o suporte
de um fosso para orquestra. O Juarez Machado é um início,
pois serve como sala de concertos” – Lucy Mary
Costa Leão, musicista e coordenadora da Escola de Música
Villa-Lobos.
“Um
bom teatro para Joinville deve ter entre 1.000 e 1.500 lugares. O ideal
é que busquemos referência em grandes teatros do mundo, e
que o projeto seja realizado pro profissionais daqui, como foi feito em
Jaraguá do Sul, no teatro da Scar (Sociedade Cultural Artística).
Uma possibilidade é a transformação da Harmonia-Lyra
num teatro, já que a sua arquitetura externa é muito bela”
– Albertina Tuma, artista plástica, ex-diretora da
Casa da Cultura e produtora cultural.
“O
projeto do Teatro Municipal feito pelo arquiteto Rubens Meister, que chegou
a ser iniciado, era perfeito para o que a cidade precisava. A organização
arquitetônica e o tratamento acústico fariam com que fosse
possível ouvir qualquer som proveniente do palco em qualquer lugar
do teatro. A estrutura já erguida foi utilizada para a parte de
trás do Centreventos. Havia um plano também de construir
um teatro para apresentações menores no local onde hoje
está o Expocentro Edmundo Doubrawa. Mas o grande diferencial do
projeto era o palco móvel, que permitiria apresentações
cênicas, musicais e de dança” – Ivo Birckholz,
membro da diretoria da Fundação Musical Harmonia-Lyra (Fundhaly)
NAVEGUE
AQUI
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Clique
aqui e confira o regulamento da Orquestra Sociesc.
Veja
as regras para utilização do dinheiro do Funcultural
Leia,
nesta reportagem do jornal A Notícia de 2002, um histórico
da trajetória do maestro Tibor Reisner em Joinville.
Leia,
no jornal A Notícia, histórias da Sociedade Harmonia-Lyra.
Leia,
também no jornal A Notícia, reportagem sobre o acervo
de Ivo Birckholz.
Clique
no link e ouça um documentário produzido por alunos de Jornalismo
do Bom Jesus/Ielusc, sobre o violonista Ananias Almeida.
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