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Poltronas vazias Dá um tempo Institucional

PLANEJAMENTO
É A CARÊNCIA

Atual presidente da Ajorpeme, o publicitário Jucemar da Cruz (foto acima) apostou nos pequenos como alvo do seu próprio negócio ao fundar, em 1998, a agência TWC, que presta serviços de comunicação integrada. A receita da agência engorda 30% ao ano – um sinal de que o segmento por ela atendido percebeu a necessidade de ampliar investimentos em divulgação. Jucemar, que assumiu o bastão da Ajorpeme em 2008, reconhece que seus pares ainda apresentam uma “carência muito forte” em planejamento. “O proprietário trabalha o dia-a-dia, o operacional, tudo passa pela mão dele. Em vez de delegar funções, acaba por amarrar o processo de desenvolvimento”, analisa o dirigente.

A Ajorpeme tomou a frente das conversações que resultaram no regime tributário diferenciado para micro e pequenos empreendimentos, proposto pela prefeitura em junho. Outro avanço recente, no município, foi a concessão de alvará provisório de localização para empresas dessa categoria, pelo prazo máximo de 180 dias, bastando um requerimento à Secretaria da Fazenda. Logo que foi adotado, em agosto de 2007, o alvará levou ao cadastramento de 963 firmas em Joinville. “Nos três níveis, o governo busca resgatar as empresas da informalidade”, afirma Sérgio Miers, da Secretaria de Integração e Desenvolvimento Econômico, ressaltando que o êxito dos pequenos empreendimentos não pode depender apenas de incentivos do governo, mas também da capacitação e profissionalização dos administradores.

"APRENDEMOS ERRANDO"

Daniel e Anderson, sócios da A2C: "No início, não sabíamos
que direção tomar. Faltava bagagem em gestão"

Especializada em internet, a agência joinvilense A2C já ganhou prêmio de “talento empreendedor” e “competitividade para micro e pequenas empresas”, acumula uma respeitável carteira de clientes (Tigre, Datasul, Itaú, Marisol, Fiesc etc.), cresce 60% ao ano, emprega 30 pessoas, prepara-se para montar sede em São Paulo e, se começasse tudo outra vez, “reconstruiria o negócio com o foco mais alinhado”. É o que confessa Anderson de Andrade, que inaugurou a empresa há sete anos, ao lado do sócio Daniel Gartner, pensando apenas em desenvolver sites. O modelo atual, formatado gradualmente desde então, abrange consultoria em projetos digitais, sistemas web, comunicação digital e gestão de serviços. “No início, não sabíamos que direção tomar. Faltava bagagem em gestão”, revela Andrade. “Aprendemos com nossos próprios erros.” O proprietário reconhece que a entrada na incubadora Softville, depois do “primeiro fracasso”, foi uma das razões para a A2C não se juntar às estatísticas de mortalidade empresarial. “Se soubéssemos disso tudo naquela época, poderíamos estar até cinco vezes maiores do que estamos hoje.”


SONHAR SEM SAIR DO CHÃO

A farmacêutica Cláudia, da Botica de Banho: "Nada de
ficar na cola dos outros. É preciso inovar sempre"

“Acredito em uma economia baseada no conhecimento, na ética, na transparência das relações e, principalmente, nas informações capazes de gerar o conhecimento necessário à superação de desafios, dentro e fora da empresa.” A profissão de fé é da bioquímica e farmacêutica Cláudia Spring, dona da farmácia de manipulação Medicamentum, em Joinville. Apaixonada por cosméticos e por fragrâncias (“sou uma alquimista”), ela criou em 2001 a grife Botica de Banho, que dá nome a produtos como espumas para banho, velas aromáticas, saches, óleos e sabonetes líquidos. As fragrâncias, um capítulo à parte, inspiradas “em coisas que me emocionam”, incluem “cheiro de Natal”, de “flores da França” e até de apflelstrüdel, aquele doce alemão. Os extratos são desenvolvidos por maisons francesas, baseados nas formulações de Cláudia, e a produção é feita em Curitiba. A “cosmética descomplicada, com toques de glamour” que a farmacêutica idealizou representa nada menos que 65% do seu faturamento e a marca pode ser encontrada em 30 pontos de venda, espalhados por seis estados. Pelo jeito, deu certo a receita que ela defende para um pequeno negócio engrenar: “Nada de ficar na cola dos outros. É preciso inovar. Sonhar sem tirar os pés no chão”.

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BERÇÁRIO DE EMPRESAS

Os benefícios que as duas incubadoras de
Joinville oferecem para estimular a
formação de novos empreendimentos



- Laboratórios de hardware e software
- Acesso a linhas especiais de financiamento
- Biblioteca e laboratórios de informática
- Infra-estrutura para reuniões, cursos e eventos
- Acesso livre à internet via Rede Nacional de Pesquisa
- Concessão de bolsas de estudos
- Consultoria e assessoria técnica, jurídica e empresarial
- Assessoria e consultoria de comunicação e imprensa
- Consultoria mercadológica, com ênfase em exportação
- Identificação de parcerias e formação de consórcios
- Auxílio na participação em eventos nacionais e internacionais
- Realização de projetos de Pesquisa & Desenvolvimento no âmbito das leis de incentivo ao setor de Informática
- Apoio a projetos de qualidade em software
- Organização de missões empresariais
- Espaço físico para operação, organizado em módulos
- Compartilhamento de serviços administrativos e gerais
- Rateio de despesas operacionais comuns



- Infra-estrutura: energia elétrica, ramal telefônico, acesso à internet, placa de identificação da empresa, sistema de vigilância eletrônica
- Sala de reuniões e treinamento
- Auditório
- Biblioteca
- Restaurante
- Locação de materiais e equipamentos
- Correio
- Depósito
- Serviços de limpeza
- Laboratórios
- Capacitação empresarial (cursos e treinamentos)
- Consultorias
- Apoio aos empreendimentos na busca de financiamentos
- Orientações básicas na elaboração de projetos especiais
- Intermediações e contatos estratégicos
- Acompanhamento e avaliação do Plano de Negócios
- Promoção de sinergia entre as empresas incubadas e associadas

FONTE: INCUBADORAS

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O NEGÓCIO É A INOVAÇÃO

Conheça três empresas que nasceram dentro da
incubadora Softville e hoje se destacam no mercado

YoungArts – Trabalha com automação digital de emissoras de rádio. As tecnologias são voltadas para web em áudio e gerenciamento de emissoras de rádio ou de ambientes internos, como shopping-centers, rodoviárias e aeroportos. Orientados por professores da Udesc Joinville, os sócios Eduardo Bento da Rocha e Jorge Manuel Lage Fernandes passaram pela incubação até ganhar mercado e se consolidarem com produtos e estratégias de vendas. Tem sede própria desde 2007, resultado de investimentos pessoais dos empreendedores em caderneta de poupança.

FAZ Design – Desenvolve projetos verticais de embalagens, produtos e serviços, com o foco na inovação, indo além do aspecto estético. São trabalhos recentes da empresa a embalagem dos chocolates Nugali, de Pomerode, o novo visual da pomada Minâncora, além de lay-outs para exposições e feiras, como o troféu do Festival de Dança. Ganhou prêmios nacionais de destaque.

IaFox Assessoria e Desenvolvimento de Software – Começou desenvolvendo produtos e serviços voltados a sistemas de monitoramento de estações de tratamento de meio ambiente de empresas. Passados quatro anos do projeto original, redirecionou o foco: hoje, presta assessoria e desenvolvimento de soluções de automação industrial, automação de câmaras para alimentos e integradores em geral e controles de recursos energéticos.

FONTE: SOFTVILLE

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"NÃO EXISTE FÓRMULA MÁGICA"

O administrador de empresas Anacleto Ortigara, diretor técnico do Sebrae/SC, é coordenador do programa “Faça e Aconteça”, que fornece consultoria gratuita para empreendedores de menor porte. Nesta entrevista, o especialista analisa os fatores que vêm contribuindo para a maior longevidade das micro e pequenas empresas.

Como o sr. avalia a oferta de informação, por meio de cursos e iniciativas do gênero, para pequenos empreendedores em Santa Catarina?

Os empresários que atuam em organizações de micro e pequeno porte, que conseguiram empreender e estabelecer um negócio, têm a oportunidade de acessar conteúdos apropriados para dar sustentação à gestão. Não existe fórmula mágica, mas sim competência comprovada pelas atitudes e resultados alcançados. Iniciar um negócio e competir com sucesso é um desafio. Só será vencido com investimento no preparo das condições necessárias para fazer frente aos concorrentes. O que é apurado nas pesquisas sobre mortalidade precoce de MPE como fatores de insucesso normalmente são sintomas, e não causas. Por exemplo: falta de clientes, falta de capital de giro, falta de conhecimento do mercado. As verdadeiras causas estão na falta de conhecimento em duas fases distintas de um negócio: na gênese, quando deve haver um planejamento consistente, embasado em informações de mercado; e na gestão do pequeno negócio nos seus primeiros anos de vida, quando deve haver conhecimento em gestão financeira, gestão de marketing e vendas, o que evitaria o surgimento dos sintomas alegados como causas do fechamento do negócio.

Se não falta orientação a quem se lança na aventura de montar um negócio próprio, por que razão a mortalidade de pequenas empresas ainda é tão grande?

A taxa permanece elevada porque ainda precisa ser internalizada nos empreendedores a importância de se investir na preparação das condições iniciais do negócio. A gênese propicia possibilidades tanto de sucesso quanto de fracasso. Não existe uma regra que inclua todas as razões para um ou outro desfecho, mas é certo que, quando se tem empreendedores mais preparados, vocacionados e dispostos a vencer pela competência e não só pelo entusiasmo, se tem resultados muito mais animadores de desempenho.

Quais são os “fatores vitais” para um pequeno negócio?

Primeiro, verificar se a idéia de negócio do empreendedor é de fato uma oportunidade de mercado; segundo, se essa idéia de negócio/oportunidade de mercado é viável do ponto de vista da viabilidade mercadológica (realizar pesquisas junto ao mercado consumidor, fornecedor e concorrente) e econômico-financeira (determinação do capital necessário para iniciar o negócio, retorno do investimento, por exemplo), ou seja, elaborar um plano de negócios consistente; terceiro, organizar o novo negócio gerencialmente.

Qual é o segredo do sucesso de uma pequena empresa?

Não existem grandes segredos. Minha convicção é a de que qualquer iniciativa de montar uma nova empresa precisa ser sustentada por algum preparo. A conjugação de características pessoais com o tipo de empreendimento (ramo, tamanho, geografia, tecnologia, etc.) será fundamental para aumentar as chances de prosperidade. O empreendedor tem perfil diferenciado da grande maioria da população. O que precisa, então, é canalizar sua potencialidade para um alvo que mais se aproxime de suas crenças, valores e competências. Quando se tem grande disposição empreendedora para realizar negócios e o foco está errado, o resultado pode ser desastroso. Da mesma forma, ajustado o foco, porém sem o entusiasmo para a realização, resulta em uma ação estéril e de alcance modesto.

Como se dá a distribuição dos pequenos negócios em Santa Catarina?

Em Santa Catarina, as regiões foram e ainda estão sendo desenvolvidas a partir da vocação da gente que habita cada uma delas. A agregação de valor a cada cadeia produtiva identificada está sendo fortalecida pela interação com outras regiões do Estado, do país e até mesmo do mercado externo, mas preserva alguma fração de sua essência. A partir da cobertura de todos os espaços do Estado por um tecido social e econômico baseado em organizações de micro e pequeno porte, lastreadas por fatores locais de sustentabilidade, porém com alcance mercadológico além dessas fronteiras, pode-se registrar que o modelo catarinense de desenvolvimento é um exemplo para o Brasil. A Região Norte tem um histórico rico de organizações de sucesso global. Essa é uma prova que a vocação para o trabalho, o desenvolvimento de competências e a atuação de vanguarda sempre marcaram os habitantes empreendedores desse recorte geográfico. As novas oportunidades é que ainda precisam ser devidamente identificadas e aproveitadas, à luz das novas tendências de utilização dos fatores tecnológicos de produção.

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PIER AJUDA A DESVENDAR
O COMÉRCIO INTERNACIONAL

Desvendar os mistérios do comércio exterior, para micro e pequenas empresas interessadas em negociar com outros mercados. É o eixo do Programa de Internacionalização de Empresas de Joinville e Região (Pier), que completa três anos em setembro. Concebido como projeto de extensão, em parceria da Univille com a Ajorpeme, o Pier oferece consultoria gratuita para empresas que desejam importar ou exportar. Em 2007, foram realizados 79 atendimentos. Neste ano, embora a procura por orientações para exportação esteja retraída, em função da defasagem cambial, observa-se uma disposição crescente pelo caminho das importações, que já respondem por 60% dos atendimentos.

Estagiários que atuam no programa ajudam os empresários a deslindar os procedimentos necessários para atuar no comércio internacional e estimulam os interessados a participar de feiras internacionais. A professora Jurema Tomelin Barg, especialista em Relações Internacionais, afirma que foram registrados vários casos de sucesso, resultando no fechamento de negócios. Algumas empresas beneficiadas pelo programa, como a Lian, que fabrica crachás e cartões de identificação, e a Polar, que produz caixas de passagem para condicionador de ar, passaram a importar e exportar regularmente.

NAVEGUE AQUI
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Confira o perfil da faculdade de Empreendedorismo da Sociesc.

Visite os sites da A2C e da Botica de Banho, referências em pequenos negócios que deram certo, mencionadas nesta reportagem.

Conheça as duas incubadoras empresariais de Joinville: Softville e Midiville.

No portal do Sebrae-SC, um banco de estatísticas sobre micro e pequenas empresas.

Veja os incentivos que Joinville oferece para a instalação de empresas.


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