|
TEXTOS
VENCEDORES
Sobre
Reformas
Escrito
por Clotilde Zingali, o trabalho foi o
primeiro colocado da categoria Adulta - Poesia
a talhadeira
corta a parede adoecida.
bolores,
cheiros acres e conteúdos a habitam.
entre a superfície e seu dentro. ecos.
onde foi
que os olhos engoliram a limalha
e a córnea toda reagiu num sobressalto?
onde os olhos captaram a retícula da terra
e avermelharam- se no contato com a matéria.
com um tampão em um dos olhos
o homem não respondeu (não ouviu).
Aderência
Escrito
por Melanie Peter, o trabalho foi
o segundo colocado da categoria Adulta - Poesia
Olhares perdidos
no vazio.
Conseguiremos
reencontrá-los?
Corta!
No
sorriso, meio de lado, rugem sentimentos dissidentes e inoperantes.
Ou,
é ilusão?
Corta!
Dentro-fora da madrugada vazia, a opacidade esconde o martelo que bate
e teima, golpeando lembranças inchadas, doloridas, roxas, amarelecidas,
inúteis certo-erradamente.
É
isso e nada disso?
Corta!
Uma bolinha de preto salta da pele do sentido.
Era laranja, mas transformou-se em vermelho.
A retina queimada odeia o rubro calor do sol.
Qual será a vertigem ou o delírio sob o qual se detém
a estesis da razão inexistente?
Corta!
Números. Sempre tão inúteis, tão desvantajosos
para as dúvidas.
Vinte e cinco, três, dois ou um?
Corta!
Absorver qualquer comprimento de onda, ser preto e branco num fenômeno
multicolorido.
Tudo-nada ao mesmo tempo?
Corta!
Riscos de verde-azul-turquesa na sucessão de telas.
Imagens em movimento.
Violetas esmagadas no asfalto, impermeável e nojento, da sensação.
Pingo, rachadura, rompimento, violência …
Agora-eterno.
Duração de meses.
Será que depois de escavar o buraco negro, poderemos abolir o tempo?
Corta!
Espaço oco.
Divagar desatento,
Conexões neurais invadidas de bits, hits, ssss…
Bum?
Corta!
Bomba.
Guerra?
Corta!
Fração quebrada
Pedaços de nada
Máquina-assassina-silêncios?
Corta!
…
…
…
Cola?
A
pia
Escrito
por Eduardo Silveira, o trabalho foi
o terceiro colocado da categoria Adulta - Poesia
(Em minha gramática matinal, o sujeito oculto cai
logo ao primeiro toque)
Na pia,
as mentiras ontem implantadas,
hoje laminadas,
amanhã repostas.
Produtos da idade:
anos-bebuns,
anos-vagabundos,
anos-felizes.
Anos idos. Partidos.. A vida de sempre, de volta ao ralo.
Persona
Escrito
por Melanie Peter, o trabalho foi o
primeiro colocado da categoria Adulta - Conto e Crônica
“Que
seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?”
Paul
Valèry
Se, perdida no tempo impreciso entre o inverno e a primavera
do devaneio, eu deixasse de lado preocupações inócuas
e observasse a orla das minhas fantasias, provavelmente seria capturada
por uma persona cuja transparência turva diria tudo sem falar nada.
Ela - deduzo -, estaria imersa em sua delicadeza ilusória de espectador-personagem
e escarneceria nossa existência corpórea como se juntas teorizássemos
sobre a luta contra a inevitabilidade dos acidentes no acaso.
Ensimesmada em contemplação, ela emergiria
na aprendizagem do desaprendimento e eu me vestiria com aromas purpúreos,
opacos de esquecimento. Imediatamente, a solidez explodida lançaria
fragmentos na mistura liquefeita de nossas emoções. Motivadas
pelo esforço dos inquietos, dispostos a raspar a cobertura da tinta
que anuvia os sentidos convencionados, ou pela insistência dos alpinistas,
animados e incansáveis na escalada íngreme rumo a cordilheira
do vazio dos homens; gozaríamos em segredo a calma de quem já
não espera mais nada, nem da vida, nem de si mesmo.
Na tentativa de ignorar o passado-presente, uniríamos
nossas forças para abrir a porta gradeada do cativeiro. “Perdemos
essa guerra”, diria ela, como se eu fosse concordar com seus balbucios
solitários. “Os donos do mundo estão solidamente estabelecidos
e nós não os incomodamos mais. Nossas bandeiras transformaram-se
em buttons, broches, pichações, camisetas… No máximo
em atitudes morais que não ultrapassam o espaço da vida
íntima”.
Antes de nos jogarmos para o niilismo absoluto, decidiríamos
reter as marcas coloridas que povoam a mente; uma mente não bem
sua, nem bem minha, nem bem de ninguém. Na profundidade superficial
dos nossos desejos, o abismo da pele tragaria intensidades e iridescências.
A invasão de dragões, basiliscos, animais esféricos
e espelhados transformaria o discurso abandonado em prólogo interminável.
Suas emoções penderiam sórdidas sob ciclos pálidos
de desesperança. Eu veria apenas riscos verde-azulados turvando
sinuosidades.
O calor lânguido invadiria a extensão sem
limites e a efemeridade das sombras gasosas, desenhadas na parede pelos
fios da cortina, dissimulariam as estações internas conforme
a dança melancólica dos prognósticos imprecisos.
Contemplativas e atentas à opacidade da luz, continuaríamos
arrancando palavras da mescla de sudorese provocada pelas nossas idéias.
Ao tentar desengaiolar o sentido, experimentaríamos erupções
de nojo contra o indecoroso psicologismo do tempo e veríamos nossas
imaginações sendo ressequidas pelos pensamentos fabricados
industrialmente. “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as
condições modernas de produção se anuncia
como uma imensa acumulação de espetáculos”.
Eu entenderia a citação, mas não descobriria quem
é o seu autor. Ao mesmo tempo, escaparia para detrás das
coisas visíveis como se ali pudesse encontrar um sorriso enigmático,
capaz de me aquietar.
Saberíamos que em muitos pontos éramos semelhantes
aos outros homens e mulheres e, no entanto, ignoraríamos o que
ainda se poderá ser. Suas asas imaginárias pareceriam assombros
estéticos. A lucidez chegaria cedo e viria agarrada na irrealidade,
nos reencontros, e na falta de sentido da vida. “Se a gente consegue
manter a sanidade e cumprir as normas e rotinas em que não acredita,
é porque a lucidez faz a gente ver que a vida é tão
banal, que não pode ser vivida como uma tragédia”.
Eu transcreveria a frase, mas não diria que a plagiei de um filme.
Angústiadas, excluídas, presas entre um
instante e outro instante e outro instante, sentiríamos a existência
quente e triste. Seríamos levadas pela fantástica hipótese
de que o universo nos sorri como uma criança que ainda pode brincar,
mas sabe que é por pouco tempo…
E o que acontecerá depois disso tudo?
Orgulhosas
por não saber, e por acreditar que ninguém sabe, aceitaríamos
a perda nos enigmas do labirinto. Resvalando pensamentos em imagens mudas,
eu tentaria silencia-la com o cinza do tempo, mas a persona voltaria a
mim atropelada pelo espírito. Permaneceríamos ligadas por
uma interrogação em aberto. “Isso é porque
história é sem começou e o fim não tem caráter
definitivo ?”, uma de nós gritaria. E a outra sorveria o
eco.
Meninice
Escrito por Heloiza Rech, o trabalho foi o
segundo colocado da categoria Adulta - Conto e Crônica
Sobretudo
vejo o arquipélago ao afogar os pés na porta do quarto.
Desacendo a claridade e coloco-me em postura de como quando avistei-as
no mundo em primeira instância.Elevei as pálpebras e percebi:
elas olhavam para as minhas - para as mãos, principalmente.
Ontem anoiteceram espantadas: ao adormecer, eu pequei a maior das dores
de uma vida adulta cruelmente antecipada. Não havia feito minha
prece como nas infâncias passadas.
Logo juntei as mãos, entrelacei os dedos e penumbrei os olhos com
força; tanta de amassar os cílios. Nesse instante, meu inconsciente
presenciou um estado de entrega total; dentro de uma ingênua meninice.
Os astros quase em plena decepção forçaram sorrisos
de alívio.
Passado as horas, principiou o sol. Fez guardar, pois, as estrelas suas
contidas confissões dessa quase desarmonia.
Despertei com a janela do quarto gritando em raios de luminosidade.
Fiz uma prece.
Aquela de uma inocência que implora saudade.
Tive o pressentimento de estar num gramado extenso com árvores
de todos os tipos e balas de morango e abraços de comprazo. Pernas
curtas e joelhos ralados, pés descalços ou sobre galhos
traiçoeiros. E sonos embalados que meu avô me presenteava.
Abri os olhos e desentrelacei os dedos.
Mas a infância já havia passado.
Lamberto,
o impaciente Lamberto
Escrito por Eduardo Bez, o trabalho foi o
terceiro colocado da categoria Adulta - Conto e Crônica
Durante
a madrugada, de minha sacada, ouço o cachorro latir lá fora,
bem dizer, na casa do vizinho. Acorda o Anestêmio, vendedor de espiral
para cadernos, proprietário de um Pianetti 2.0 a gasolina, formado
em Gestão de Recursos Físicos, Mestre em Marketing Empresarial
Aplicado, possui uma coleção de frascos de perfume e mora
na casa ao lado:
- Puta merda! Esse cachorro filho-da-puta não vai ficar quieto?
Tenho que acordar cedo para trabalhar!, desconjura ele, e assim acaba
acordando dona Salasina, auxiliar administrativa III, proprietária
de um Cempra Gs 1.6 TotalFlex, além de Português fala Mandarim,
Italiano, Nheengatu e o dialeto Parintintim, gosta de vestir uma camisa
de gola pólo azul turquesa do marido e fumar Free mentolado após
o sexo, principalmente quando ela cavalga no marido, pois assim se cansa
mais, e mora na mesma casa que Anestêmio, que por sua vez é
seu marido.
- Que susto, Anestêmio!, esclarece ela.
Os dois
tornam a dormir, só que dessa vez sem sonhos. O cachorro Lamberto,
o impaciente Lamberto, continua a latir, é alguma coisa que o incomoda.
Um barulho ao longe que ele não consegue identificar. Não
lhe é usual que naquele momento do dia, um ruído vindo daquela
direção, com uma frequência inédita chegue
aos seus ouvidos. Ele se assusta com o desconhecido, e late impassivelmente,
sem saber que Anestêmio dorme ao lado de Salasina e que terão
que trabalhar pela manhã. Nem sabia que Anestêmio trabalhava,
ou que alguém trabalhava, ou que ainda os dias são divididos
em manhã, tarde e noite. Nunca viu tal coisa, ou ao menos lhe contaram,
só enxerga até onde o cercado permite - seu deus não
lhe apresentou o resto do mundo. Se o cão não sabe que existe
o trabalho, tampouco compreende de forma racional a sequência de
reações químicas que converte os elementos minerais
em sua ração, ganhando forma e se tornando comestível.
Na verdade, nem sabia que o que comia é ração e a
sua noção de comestibilidade é muita mais ampla do
que a impregada pela convenção humana. Portanto, quando
seu dono, Péres, deus em uma carcaça animal alta e magrela,
que se move por cima do solo sem se utilizar de todos os seus membros,
peludo só em cima da cabeça, lhe serve a comida nomeada
de ração, é o legítimo criador e senhor da
Terra; então ele se pergunta, onde é que fica a Terra? No
entanto ele lhe deve obediência e respeito, pois se não fosse
por ele, Lamberto, o impaciente Lamberto, não sobreviveria. Estranho
modo esse de contemplar a vida, tratar por Deus aquele que o aprisiona.
Perdão!
Escrito
por Robson Rodrigo dos Passos, o trabalho foi o
primeiro colocado da categoria Escolar - Conto e Crônica
Acordo.
Olhos assustados. Corpo - suado, trêmulo. Chuva. Raios, trovões.
Na janela, as gotas pintam o desespero. Arrepios. O medo percorre o meu
corpo.
O silêncio, cortado pelo grito dos trovões. Paredes e piso
sólidos. Mas gelados. Um calafrio. No espelho, medo. Angústia.
E nos meus pensamentos, bombardeios de solidão.
Mesa, cadeira. Café - forte e frio. Pão - seco, sem gosto.
Tudo parece olhar-me e o medo perturba-me.
Novamente o silêncio.
Agora, interrompido por um barulho que lacrimeja o meu ouvido. O telefone…
e a notícia.
Uma erupção de palavras queima os meus pensamentos. E agora?
Que sentido faz? Por quê? Uma lágrima… Agressões,
medo, angústia, opressão, tristeza e… culpa. Consomem
o meu corpo. Fico fraco, leve, sem rumo. A minha vista escurece. Nada
mais tem sentido, nem cor, nem nada. Quero gritar, pedir por ajuda, mas
as palavras não vêm, não obedecem a minha vontade.
A escuridão chega…
Lentamente abro os meus olhos. Sinto meu corpo - fraco, cansado. Procuro
alguma luz. Lá fora, apenas a noite e a escuridão da cidade.
A chuva, os raios, os trovões. Nisso um retrato. Perdido entre
um manto de poeira. Desperta-me forte lembrança e uma dolorosa
saudade. Mais uma lágrima. Culpa. Retrato, tesoura, retrato. Silêncio.
Trovões.
O cansaço chega e vai me carregando. Cama, travesseiro, cobertor.
Os meus pensamentos mergulham nos meus sonhos - escuros, sombrios. Nos
seu infinito: a luz. É meu pai, carregado por anjos. A ele um único
pedido: Perdão. Trovões. E tudo se perde, desaparece. Segue
outro rumo. E retorna para a nebulosa escuridão.
Silêncios. Trovões.
Ocaso
Escrito
por Jaqueline Reichert, o trabalho foi o
segundo colocado da categoria Escolar - Conto e Crônica
O calor do
sol em meu corpo. O dia vem acordar-me. Minha pele nua toca o chão
frio. Luz, calor… minha mente rodando. Sento-me. O prato caído,
as almofadas amarrotadas no chão, esboços num papel amassado.
Noite ruim. Dolorosamente, caminho até a cozinha. Encontro uma
maçã. Parece-me agradável. Tenho que alimentar o
ser que habita meu ventre. Duas semanas que não o sinto mexer.
Deve estar adormecido.
“Sinto dizer, mas o seu bebê está morto”, dissera
o médico. No banheiro, toalhas molhadas, a lixeira abarrotada de
objetos de meu bebê. Pego tudo de volta e tento me lembrar por que
aquilo estaria ali? O box arranhado reflete meu rosto pálido. Minha
barriga grande me mostra o que tem por dentro. Seria vida? Não…
é morte. Nos ladrilhos, minha angústia refletida. Não
teve tempo de viver. Eu não o deixei viver. “Eu sei que é
difícil, mas não se culpe pela morte dele”. Os exames
comprovaram. “Deus sabe o que faz”. Os pensamentos me deixam
zonza. Eu não preciso me lembrar.
Verifico se tenho o que fazer. Nada. Nada? Tenho muita coisa pra fazer.
Preparar as coisas para a chegada do meu filho querido. O quarto. Os cobertores
desdobrados, as paredes riscadas, o abajur quebrado, as roupas rasgadas.
Não entendo. Por que fiz aquilo? Se estou tão feliz, se
meu bebê vai nascer logo; então, por quê…? Por
que ele não acorda? Eu sei… eu sei todas as respostas. Mas
é tão difícil aceitar.
Então, deixo.
As lágrimas mancham meu rosto. Meu pranto. E o eco. O eco de uma
vida. Em minha cabeça. Desabo sobre meus joelhos. O impacto me
agride. Machuca. E eu machuco o meu bebê. Tormento.
Contrações. “Sua vida também está em
risco”. O batimento acelerado do meu coração. Agonia.
Tudo volta à minha mente. Dor. “Por isso, é melhor
você ficar em observação”. Mãos trêmulas,
suor gelado, punhos cerrados. Fico imóvel. Ouço a campainha.
A campainha e o meu coração me confundem. As unhas agridem
minha pele. Os objetos, longes, acusam-me. Dizem-me que errei. “Nós
faremos o que for necessário”. Sou culpada pela morte do
meu próprio filho. A campainha, incessante, meu tormento. Os meus
sentidos, sem sentido. Deixo-me cair. “Teremos os melhores profissionais”.
Minha queda, dura. Minha respiração, ofegante. Minha cabeça
começa a latejar. “Nós precisamos tirá-lo de
dentro de você, não há nada o que fazer quanto à
vida dele, mas a sua…”. “O bebê é meu,
vai ficar comigo”. Sim, agora eu me lembro. Eu fugi. O meu bebê.
É meu! Não posso deixar que o tirem de mim. Ninguém
mais poderá separá-lo de mim. O bebê… é
meu!
Controle
Escrito
por Arthur Dell’Antonia, o trabalho foi o
terceiro colocado da categoria Escolar - Conto e Crônica
Ontem foi
como hoje e amanhã será igual a hoje. Acordo, levanto, vou
ao banheiro, tomo café da manhã e vou para a escola…
Chego em casa e almoço. Antes largo minhas coisas pelo caminho.
A consciência vai direto ao jogo, porém as virtudes falam
primeiro:
- Antes o dever, depois o lazer…
Sento para fazer a continuação da escola, mas a consciência
só quer saber do jogo. Afinal, o gráfico é perfeito,
e o som também.
Tremendo, os músculos parecem querer me levar junto para frente
do vídeo game.
Vem a pergunta:
- Já fez a tarefa?
Músculos, mente e corpo infelizmente voltam para o dever inacabado.
O lápis vai mais rápido que o pensamento, as questões
não acabam, as letras se embaralham ou parecem fugir das páginas
e as respostas se escondem… e toca o interfone.
- Alô, aqui é o Gabriel. Podes me emprestar um controle?
- Agora não dá, to fazendo a tarefa, outra hora eu te empresto.
Ah, se a gente não tivesse controle dos nossos atos…
Carta
Outonal
Escrito
por Daniele Silveira, o trabalho foi o
primeiro colocado da categoria Escolar - Poesia
A
chuva de outono me trouxe
(ai, vento!)
uma carta.
Peguei-a e ela acomodou-se, timidamente.
Então, fechei a mão com a força de um solitário
emaranhado,
e nela:
(ai, vento! Ai vento!)
multiplicaram-se as palavras!
Ausência
Escrito
por Nathália Ângelo Thomassen, o trabalho foi
o segundo colocado da categoria Escolar - Poesia
No silêncio
da noite
Caminhando pela estrada,
Sem destino.
À espera do imprevisto.
Céu, estrelas, luar
A iluminar minha caminhada,
Longa e triste
Nesta calma que persiste.
A chuva cai
Mansa e serena
Com ela vem uma brisa leve
Que me envolve,
Me faz sentir;
Algo que não sei definir.
As pedras que encontro,
O orvalho que cai
Alguém que vem ou vai
Como eu, em uma
Triste e longa noite
De luar;
A caminhar!
Passou
o tempo
Escrito
por Fernanda Ramos, o trabalho foi o
terceiro colocado da categoria Escolar - Poesia
Passou o tempo de
roubar amoras
E dar seus pulinhos,
no quintal do vizinho.
Passou o tempo de
ter seu
Aniversário enfeitado
Com palhaço engraçado.
Passou o tempo de
não ter vergonha
De ser rei de castelos de areia
ou de quebrar a geladeira
Passou o tempo de
rir,
Pular, cantar, e de
se enganar ao chorar.
Chegou o tempo de
sair
Sem saber se vai cair.
Chegou o tempo de
brigar com o mundo
ignorar tanta indiferença
Chegou o tempo de
sonhar
Com a noite na cidade
Para dizer a verdade.
Chegou o
tempo de deixar a cidade
e procurar a liberdade.
|