UNS
& OUTROS
UMA
IDÉIA BACANA
A
música remove montanhas. É o que sugere uma interessante
teoria formulada pelo neurocientista norte-americano Daniel Levitin.
No livro “The World in Six Songs” (“O Mundo
em Seis Canções”, ainda sem edição
brasileira), o especialista afirma que seis tipos de música influenciaram
a evolução humana. As categorias são: canções
de amizade, alegria, conforto, amor, conhecimento e, finalmente, religiosas.
“O poder da música foi capaz de mudar culturas”,
afirmou o autor à imprensa, explicando que o sexteto de temas
citados englobaria “as seis maneiras que nossos ancestrais usaram
para se comunicar” – e que, por conseqüência,
“moldaram a natureza” das pessoas. A Revista Döhler
gostou da teoria e resolveu convidar alguns joinvilenses a eleger as
canções mais emblemáticas, para cada um, a partir
dos conceitos listados pelo neurocientista. As respostas são
versáteis, com espaço para MPB, rock, trilhas de cinema
e até um hino escoteiro, sublinhando o quanto pode ser vasto
esse universo que liga a música às emoções.
Nos
links em destaque, entre em
sites sobre os artistas. |
Samuel
Lima, professor e jornalista. “Canção
da América”, de Milton
Nascimento e Fernando Brandt (amizade), “Starway
to Heaven”, da banda Led
Zeppelin (alegria), “Memories of Green”,
de Vangelis
(conforto), “Eu Sei que Vou Te Amar”, de Tom
Jobim e Vinicius
de Moraes (amor), “Quanta”, de Gilberto
Gil (conhecimento) e “Encontros e Despedidas”, de Milton
Nascimento e Fernando Brandt (religião).
Jonas Tilp, diretor comercial do Perini Business
Park, Jonas Tilp – “Amigo”, de Roberto
e Erasmo Carlos (amizade), “Canção da Despedida
Escoteira” (alegria/conforto), “Léo e Bia”,
de Oswaldo
Montenegro (amor), “Coração Pirata”,
com a banda Roupa
Nova (conhecimento), e “Jesus Cristo”,
de Roberto Carlos (religião).
Ana Carolina Siqueira, diretora
de marketing da indústria Víqua – “Canção
da América” (amizade), músicas de Fat
Boy Slim (alegria), “Se eu não te Amasse
Tanto Assim”, com Ivete
Sangalo (conforto), “Do seu Lado”, com
Jota
Quest (amor), “Como é Grande Meu Amor
por Você”, de Roberto Carlos (conhecimento) e “Somewhere
Over the Rainbow”, do filme “Mágico de Oz”
(religião).
Márcio Freitas, diretor
da Freitas Comércio Exterior – “O que é,
o que é”, de Gonzaguinha
(amizade), “Vida da Gente”, de Zeca
Pagodinho (alegria), “As Rosas Não Falam”,
com Beth
Carvalho (conforto), “Perhaps Love”,
de John
Denver (amor), “My Way”, com Frank Sinatra
(conhecimento) e “No Aconchego do Meu Lar”, de Padre
Zezinho (religião).
|
O
jornalista Samuel Lima, consultado pela Revista Döhler para compor
a seleção acima, fez questão de justificar algumas
das suas eleitas carregando na poesia. De saída, ao lembrar as
tantas canções que marcam sua “caminhada existencial”,
qualificou o desafio de apontar somente seis como uma “Escolha
de Sofia”. Mas encarou. Veja o que ele disse:
Sobre “Canção da América”:
“Em situações de extrema emoção já
cantei e toquei esta canção, que me emociona e enleva,
sempre!”
Sobre
“Starway to Heaven”: “A canção
remete ao universo de centenas de outras tantas que embalaram a geração
dos anos 1960 (Beatles, Stones, Pink Floyd, Bob Dylan, Simon e Garfunkel,
Jackson's Five, Diana Ross, Tina Turner, Peter Frampton etc.).”
Sobre
“Memories of Green”: “A música faz
parte da trilha sonora de um filme paradigmático do cinema contemporâneo,
Blade Runner. O piano tece um tipo de som que resgata o conforto d'alma,
alivia o estresse cotidiano, remete a outro plano, no limite entre o
metafísico e o tangível.”
Sobre
“Eu Sei que Vou te Amar”: “É uma síntese
mais-que-perfeita: ‘Que não seja imortal/ posto que é
chama/ mas que seja infinito enquanto dure’. Nos versos do poetinha
e acordes do grande criador da bossa-nova, uma canção
que atravessará o tempo-espaço.”
Sobre
“Quanta”: “Uma canção que remete
ao conhecimento humano, som e poesia da melhor lavra de Gilberto Gil.
Lá pelas tantas, o compositor tira da cartola: ‘Sei que
a arte é irmã da ciência/ ambas filhas de um deus
fugaz/ que faz num momento/ e no mesmo momento desfaz’.”
Sobre
“Encontros e Despedidas”: “O sentido geral
da existência parece estar de fato ligado a essa idéia
mutatis mutandis que envolve encontros e despedidas: ‘A hora do
encontro é também despedida/ a plataforma dessa estação
é a vida desse meu lugar/ é a vida’.”
NAVEGUE AQUI
Leia
reportagem sobre o livro de Daniel Levitin.
UM
PROJETO
“Quando
alguém inventa alguma coisa, o mundo anda”, argumenta Clara
Luz, uma fadinha serelepe que se recusa a obedecer o velho “Livro
das Fadas” e faz questão de criar suas próprias mágicas
– todas mira¬bolantes, como preparar bolinhos de luz ou colorir
a chuva. “A Fada que Tinha Idé¬ias”, peça
de Fernanda Lopes de Almeida, é a nova montagem do Grupo de Teatro
do Colégio da Univille, um projeto superba¬cana que, em março,
completa dez anos. O livro com a história de Clara Luz é
de 1971, ganhou versão para teatro em 1982 e encanta pela forma
como enaltece a inventividade da criança, sempre atrás de
novos ângulos para ver o que já foi visto. A peça,
que estreou em novembro, permanece em car¬taz no próximo semestre,
com exibições gratuitas para escolas de Joinville e região.
É mais uma aposta da escola na extensão de seus projetos
à comunidade. Esse intercâmbio cultural e pedagógico,
aliás, é o objetivo central do grupo, que freqüenta
oficinas permanentes, ao longo de todo o ano, sem pagar nada. “A
companhia é exemplo de arte-educação conhecido em
muitas insti¬tuições educacionais do Brasil”,
orgulha-se a diretora Ângela Finardi, empolgada com a “incrível
auto-superação” que testemu¬nha nos aprendizes
de ator, vencendo seus medos para se apresentar em público e aprendendo
a trabalhar em conjunto. Nestes dez anos, cerca de 260 meninos e meninas
subiram ao palco como parte do projeto, que já resultou em nove
montagens. Hoje, o grupo reúne 35 integrantes.
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| Elenco
de "A Fada que Tinha Idéias" posa depois da estréia |
As oficinas semanais com essa turminha duram quatro horas. No primeiro
semestre de cada ano, os participantes fazem jogos de integração,
exercícios de expressão corporal e improvisações,
enquanto a diretora cuida de selecionar um texto para a montagem. Os ensaios
consomem o segundo semestre e a estréia é no final do ano.
As apresentações para a comunidade são vitais, segundo
Ângela. “Dessa forma, os alunos podem vivenciar a real experiência
do fazer teatral, que só se concretiza na presença do público,
e amadurecem.”
Teatróloga há 18 anos, a diretora Ângela Finardi é
um nome reconhecido no meio artístico de Santa Catarina. Um dos
seus trabalhos mais elogiados foi a peça “S.O.S. –
Uma Melhor Só”, premiado recentemente em um festival de teatro
no Paraná. Ela está mais que satisfeita pela oportunidade
de comandar a pirralhada, no grupo da Univille. “A instituição
é um celeiro artístico. Há investimento no ensino
e na extensão da arte para a comunidade, incentivo aos profissionais
e estudantes e liberdade para trabalhar” observa. “Aqui, encontro
todas as oportunidades para despertar e desenvolver nos alunos o gosto
pelo teatro, minha grande paixão.”
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| Peça
resgata a inventividade infantil: exibição durante o
ano |
EM
CARTAZ
As nove peças que o grupo já montou |
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Patinho Feio, de Maria Clara Machado
• A Lenda do Vale da Lua, de João das Neves
• Infância, ou Nunca me Disseram Antes de eu Casar que
as Crianças são Malucas, de Thornton Wilder
• O Cavalinho Azul, de Maria Clara Machado
• Sabrina, 40 Fantasmas e Mais uns Amigos e Nem Mais um Piu,
de Gustavo Finkler
• A Família Sujo, de Gustavo Finkler
• O Fantástico Mistério de Feiurinha, de Pedro
Bandeira
• Angélica, de Lígia Bojunga Nunes
• A Fada que Tinha Idéias, de Fernanda Lopes de Almeida |
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