Estudar não é coisa só de criança

Por Andreza de Liz*

Os tempos mudaram, isso todos nós já entendemos. O que talvez não tenhamos percebido ainda, é o quanto isso tem impactado nosso dia a dia e o quanto estamos ou não acompanhando as mudanças desse mundo VUCA, uma verdadeira Muvuca. O termo VUCA foi criado nos anos 90 após a guerra fria e a sigla em inglês significa – Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity. Ou seja, um mundo Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo. 

Muitos de nós somos da geração que para sermos adultos bem sucedidos, precisávamos começar cedo nos bancos da escola, seguir com uma faculdade, pós-graduação e, se possível, mestrado. Queríamos garantir um bom emprego, com estabilidade e bom salário. Para muitas profissões, isso realmente era o básico e essencial, mas para os dias de hoje não é mais o suficiente. 

A geração do TER, formada em sua grande maioria pela Geração X, vem dando espaço para a geração do SER, onde ter um canudo, ter um emprego que pague bem, ter uma casa e ter um carro não são mais os anseios de muitos jovens. Grande parte dos jovens é conhecida por pertencer à geração “Canguru”, 25% da população entre 25 e 34 anos ainda moram com os pais.

Como adultos, nos perguntamos por que esse desprendimento? Será falta de ambição, comodismo ou praticidade? Mas o que realmente precisamos entender é quais são as ambições dessa nova geração e os motivos que os levam a isso. Qual nossa influência como pais e responsáveis nessa mudança de comportamento dos jovens? Quão grande é nosso papel de educadores e responsáveis? E essa pergunta não se aplica somente quando estamos falando de filhos grandes, se aplica no dia em que saímos da maternidade com um novo integrante na família. 

Educar realmente não é tarefa fácil e é por isso que volto ao assunto da educação que tivemos e a que buscamos ao longo da vida. Geralmente buscamos conhecimento nas áreas em que trabalhamos. Seguimos com formações, cursos, treinamentos, tudo em prol da nossa ascensão profissional, mas e para a vida, para nosso desenvolvimento humano, autoconhecimento, maternidade e paternidade, o quanto estudamos para isso?

Alunos estudando livros didáticos Vetor grátis

Alguns conceitos foram surgindo ao longo dessa década como por exemplo: Lifelong Learning, que em sua tradução literal significa aprendizagem ao longo da vida ou educação continuada. Esse conceito aborda a necessidade de as pessoas manterem-se constantemente em desenvolvimento e estudando permanentemente. 

Gosto muito do conceito da educação continuada que diz que “nunca é cedo ou tarde demais para se aprender”. Sempre que falamos em educação, logo pensamos nas crianças e no trabalho, mas e nossa formação como pais? Quanto estudamos para esse trabalho do qual é responsável pela formação de um ser? Quanto nos preparamos para ingressar nesse ofício de entregar um filho bem preparado para o mundo? 

Quem já ouviu ou repetiu a seguinte frase: “Quando nasce o bebê, nasce a mãe”.

Por muito tempo acreditava-se nisso, mas o que descobrimos é que não funciona bem assim. “Não nascemos prontos”, já diz o autor Mário Sérgio Cortella em um de seus livros. Nascemos na condição de filhos e o que trazemos em nossa bagagem até o nascimento dos nossos filhos, é o modelo aprendido com nossos pais e cuidadores. Para assumirmos este papel tão importante em nossas vidas é preciso estudar, perseverar, pesquisar, observar, perceber, se conhecer e querer sempre melhorar. Melhorar como pessoa, por nós, por nossa família, nossos filhos e por toda uma sociedade.

Pensarmos na educação continuada para pais não é menosprezar tudo o que os pais já fizeram até aqui, mas é pensar que sempre temos mais para aprender. Aprender com nossos erros, acertos, entender que nossas intenções são sempre as melhores e sempre querendo o melhor para nossos filhos. Mas o mais rico dessa jornada, é que aprendemos principalmente com eles. 

Mudamos nossos pensamentos e maneira de agir desde a gestação, tendo em mente que agora não estamos mais sozinhos e que precisamos nos cuidar, estar bem para poder cuidar do outro. Voltamos a valorizar os cuidados com a saúde, com os alimentos, com a natureza, com as pessoas e com o mundo. Ficamos desejando um mundo melhor para eles e o que nos esquecemos às vezes, é que somos responsáveis por isso, responsáveis pelo mundo que deixaremos para nossos filhos e os filhos que deixaremos para o mundo.

Precisamos aprender a reaprender. Observar a criança e reaprender com ela a sermos mais curiosos, criativos, empáticos e amorosos. Precisamos estudar sobre novas formas de educar os filhos, sobre temas e assuntos que não eram abordados com eles nas gerações anteriores. 

Nosso modelo aprendido de pais, sem querer aqui generalizar, era o modelo do autoritarismo, aquele em que os pais mandavam e os filhos obedeciam, e se assim não o fizéssemos, éramos punidos com agressões físicas e castigos, já do contrário, éramos recompensados.

Voltando a citar o autor Mário Sérgio Cortella, em seu livro “Família – Urgências e Turbulências”, ele escreve que é preciso encontrar um equilíbrio na educação dos filhos, “em que haja uma vida harmônica, mais disciplinada, uma vida com liberdade de convivência, mas que não abra mão da ética do esforço, que não seja opressiva, tampouco desordenada”.

Precisamos ter consciência que desde o começo da vida, nossos exemplos e nosso comportamento pode influenciar a forma como os filhos irão se relacionar com o mundo e com as pessoas. Por isso a importância do nosso autoconhecimento, autocuidado e autorresponsabilidade. Hoje, diferentemente das gerações anteriores de pais, temos uma facilidade de acesso às informações sobre diversas maneiras de educar os filhos. As novas teorias ensinam que é possível educar no amor e na compreensão, de forma firme e gentil. A Disciplina Positiva por exemplo, tem uma abordagem que permite que possamos educar nossos filhos pela empatia, respeito mútuo, conexão e limites, enxergando as crianças e adolescentes como seres humanos que são, respeitando-os e entendendo-os. Falando sobre emoções e sentimentos, respeito e tolerância, habilidades sociais necessárias para que as crianças lidem melhor com as situações na vida adulta, com equilíbrio emocional para agir com resiliência e amor. Se pensarmos bem, veremos que isso não se aplica somente para com os filhos, mas com todas as pessoas. 

As oportunidades estão ao nosso alcance, só precisamos da vontade de aprender mais e de melhorarmos um pouco a cada dia. Termos paciência, persistência e amor para mantermos nossa educação continuada, seja para o trabalho, seja para nossa saúde mental ou principalmente, para chegarmos ao final dessa jornada de pais na certeza de que fizemos nosso melhor e que não somos perfeitos. 

Fontes: 

https://veja.abril.com.br/ideias/o-apogeu-da-geracao-canguru-de-filhos-que-nao-saem-de-casa/


Menino com camiseta azul

Descrição gerada automaticamente 



Avaliação: Responda de 1 a 5, o quão este conteúdo foi útil para você?

Encontre os produtos Döhler

Ama nossos produtos para cama, mesa e banho e quer saber onde comprar?
Faça uma busca e descubra no mapa onde encontrá-los nas lojas mais próximas de você.

Também quer que a Döhler faça parte da sua vida?
Temos diversos representantes em todo o Brasil. Entre em contato com um deles e venda os nossos produtos em sua loja também.